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Baco Baco é… logo ali…

Author: Delman Ferreira

Perguntam: o Morro do Baco Baco existe mesmo?
Absolutamente. É tão concreto quanto é concreto o mundo que cada um constrói.


Perguntam: então, onde fica o Morro do Baco Baco?
…aos peregrinos, diria como Antonio Machado, “caminante no hay camino, se hace camino al andar”.


Assim como o Arco-íris, que é um fenômeno cientificamente comprovado, mas nunca está onde parece estar, o Morro do Baco Baco é um fenômeno filosoficamente comprovável que fica logo ali.


É lá onde se dão os ritos de passagem. Onde a gente se olha de frente e descobre os próprios limites. Filosoficamente, lá descobrimos que sempre existe uma modalidade na qual cada um de nós pode ser simplesmente o melhor, apesar de que, também se descobre que bom mesmo é estar aqui e ali, cercado de diversidades.


O Baco Baco é logo ali, no fim de cada desafio, naquele momento de cada conquista a cada nova passagem.


É aquele canto onde vestimos uma calça jeans puída, furada na bunda, uma camiseta desbeiçada, uma chinela velha, um chapéu de palha, porque o que importa mesmo é despir-se de preconceitos.


O Baco Baco também esconde seus mistérios. Porque, sem mistérios, sem sonhos, sem desafios e sem ritos de passagem a vida se banaliza e o mundo fica sem rumos.


É lá que vive o Belisário, o atirador de dardos, nosso perguntador de perguntinhas pontiagudas. Ali
, encontramos D. Sofia, com sua filosofia e sabedoria de quem conhece a vida e dispensa diplomas. Lá nos encontramos na Mercearia, que é uma universidade de vida. Foi para lá que Tião e Ivonete mudaram o “Bar do Tião”, onde a gente pode comer uma dobradinha sem culpas, beber rabo de galo, ouvir e cantar as eternidades da música brasileira. Há coisa de uns dez mil anos atrás, Raul Seixas andou por ali, ele para quem nada desse mundo é estranho.


Enfim,  fica logo ali, no caminho de quem vai para Pas
árgada, cortando as Gerais, seguindo a trilha da Joagoa.


O Morro do Baco Baco fica bem aqui dentro… Logo ali.


(mai/2007)

“Um outro mundo é possivel”

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Resgatando os Tobias e as Marias

Author: Delman Ferreira

“tudo o que é grande no mundo começou por ser louco”
(Friedrich Nietzsche)


Inconformados com o rumo das coisas, alguns inquietos decidiram criar um núcleo de discussões políticas (à moda antiga), lá em Arapoanga, um bairro afastado de uma das cidades satélites mais pobres e distantes de Brasília – Planaltina, uns 50 Km do Plano Piloto.
Resolveram batizar o grupo de “Núcleo de Base RESGATANDO A UTOPIA” (nesses tempos que correm,  por si só, já constitui uma utopia). Convidaram as pessoas do próprio Bairro. Gente simples, pouco acostumada às nuances e terminologias políticas.
Dentre os participantes mais ativos havia um senhor, com mais idade que os demais, que gostava das conversas e não faltava às reuniões, mas não entendia direito o que era essa tal de “utopia”, para ele o núcleo se chamava “Resgatando o Tobias”.

A historinha acima, colhida lá no Brasil, é uma perfeita caracterização do significado do Partido dos Trabalhadores na vida brasileira.
Uma oportunidade construída por gente de todas as camadas sociais. Inclusive, por pessoas simples, anônimas e sistematicamente excluídas, para participar, discutir e, até, disputar os destinos do País.
O Partido dos Trabalhadores (junto com outros poucos partidos comprometidos com as lutas históricas da classe trabalhadora) é um dos raros instrumentos que os trabalhadores construíram ao longo de 500 anos de História para disputar qualificadamente os espaços brasileiros.
Os brasileiros não integrantes das minorias dominantes tiveram participação praticamente inexpressiva em grande parte dos eventos que mudaram o rumo de nossa História. Na verdade, em muitos casos foram meros figurantes ou nem sequer tomaram conhecimento efetivo. Contam os cronistas da época que, em 1889, o povo assistiu a Proclamação da República pensando se tratar de uma Parada Militar (!).
O Estado Brasileiro sempre foi controlado por minorias, sob a ótica de seus próprios interesses. As instituições brasileiras, desde os Poderes da República, passando por governos estaduais e municipais e, principalmente, pelas empresas mais importantes, sempre foram ocupadas pelos filhos das elites ou seus afilhados mais diletos e sempre foram colocadas a serviço da apropriação e dos privilégios daquelas minorias dominantes.
Esse comportamento está tão introjetado na vida nacional que passou a ser entendido como natural.  Não causa estranheza às pessoas ver os filhos de ex-governantes se lançarem candidatos aos postos de governo ou serem indicados para a direção de empresas. Assim, por quase dois séculos de independência, vivemos uma perfeita confusão onde o poder público passa a ser extensão do poder privado e do coronelismo regional. Por meio dessa promiscuidade de poder, os negócios privados sempre se utilizaram e apropriaram da coisa pública.
Ao decidir construir partidos políticos identificados com os interesses maiores de toda a Nação, os trabalhadores deixaram claro que estavam determinados a mudar aquela forma de ser do Estado. Decidiram que o Brasil deveria ser pensado, planejado, organizado e dirigido a partir das necessidades e da ideologia da maioria do povo.
A própria ideologia estaria colocada em disputa. Haveria que disputar os currículos escolares, a indústria cultural, a feitura e a intenção das leis, os critérios e ritos de julgamento e aplicação dessas leis, os projetos de organização das cidades, a distribuição de oportunidades, o exercício do poder etc.
Os partidos historicamente de esquerda representam um projeto de País que vai muito além dos interesses de uma minoria dominante. Representam a oportunidade de um povo se afirmar efetivamente como Nação.
Instrumentos de luta, construídos pelo próprio povo, como o Partido dos Trabalhadores, são muito maiores que periódicas disputas eleitorais, constituem-se em patrimônio desse mesmo povo. São espaços permanentes de construção de cidadania e participação.
O que está em jogo é muito mais que uma disputa eleitoral. Trava-se uma batalha que pode ser decisiva para a construção de um outro País, diferente daquele dominado por elites. A derrota desse projeto seria a vitória dos saqueadores e a perenização da minoria dominante
As lutas de um povo são elementos de identidade nacional. O Partido dos Trabalhadores é muito maior que os erros de algumas de suas lideranças. Esse patrimônio não pode ser perdido.
O partido dos Trabalhadores deve voltar às fábricas, aos campos, às periferias, aos grotões, às ruelas descalças, ao asfalto, às favelas, aos condomínios, às escolas, às igrejas,…  Resgatar a essência.
Resgatar os Tobias e as Marias para o centro da política nacional.

(Inverno/2005)

“Um outro mundo é possivel”

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