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Jacas e azeitonas

Author: Delman Ferreira

Jacas e azeitonas nascem em árvores. São frutos. São verdes. São comestíveis. Muito apreciadas por uns e insuportáveis para outros. Servem para conservas e diversos outros usos.

Aqueles que se satisfazem com análises da profundidade de um pires, baseadas em planilhas de computador, sem nenhuma pesquisa de campo, poderiam sustentar a tese de que jacas e azeitonas se assemelham, seriam quase a mesma coisa. Entretanto, quando se aprofunda um pouco mais a análise, é possível perceber diferenças. Os analistas de pires, ainda sustentarão que são apenas sutis diferenças.

Mais de 50 milhões de pessoas vivendo muito melhor. Mais de 14 milhões de empregos gerados com a segurança da carteira assinada.  Mais de 12 milhões de pessoas com acesso à energia elétrica. Mais de 500.000 alunos carentes nas universidades. Mais de 250 novas escolas técnicas, principalmente em cidades do interior. Interiorização das universidades públicas. Créditos acessíveis. Multiplicação de investimentos em agricultura familiar. Multiplicação de investimentos em infraestrutura. Soberania e Auto-determinação. Respeito internacional.

Sutis diferenças. Que, talvez, passem despercebidas ou indiferentes para os analistas de pires. Afinal não passam de números, apenas números. Coisas de pobres, sem maior importância.

Números podem ser manipulados. Ou, mesmo quando exprimem a realidade, podem ser apenas reflexo de uma conjuntura mundial favorável. Podem apenas ser fruto de um momento virtuoso, um golpe de sorte.

Seria interessante aprofundar um pouco mais a análise. Um pouco abaixo da linha do pires. (Observação: os analistas de pires devem utilizar equipamentos especiais, nem todos estão preparados para esportes radicias).

Metas e planejamentos. (Nem todos suportam emoções tão fortes). Erradicar a miséria até 2014. Universalização da banda larga até 2014. Consolidar o Brasil como protagonista internacional. Atualmente, temos metas e planejamento. Mas, nem sempre foi assim.

Quando Ministro de Planejamento, José Serra desmontou todos os órgãos de planejamento do Estado brasileiro. GCPS e GCOI (setor elétrico), GEIPOT (transportes), CPqD (telecomunicações) e outros. Todos foram desmontados. A Petrobrás foi impedida de investir e de participar dos leilões de exploração de nossas reservas. Os resultados do desmonte não tardaram. Mais de sete meses de racionamento de energia elétrica e debilidades em todos os setores. O Brasil quase perde o controle e o poder de explorar o pré-sal.

Não se pode afirmar que o ex-Ministro do Planejamento não tinha métodos e metas. Pelo contrário, o desmonte do planejamento foi devidamente planejado e tinha objetivos muito bem traçados. Houve método: demissões em massa dos trabalhadores, com a consequente perda da memória técnica, e asfixia das empresas estatais por meio de tarifas insuficientes para a manutenção e expansão dos serviços. Houve objetivos: apropriação e privatização dos recursos naturais e dos serviços públicos por empresas estrangeiras.

Havia coerência ideológica na ação de desmonte. Era a ideologia do ‘Estado Mínimo’ (e lucro máximo). Sem planejamento estatal, os interesses do Estado passavam a se confundir com os interesses privados. BNDES e os bancos oficiais foram proibidos, pela legislação do Programa Nacional de Desestatização, de financiar empresas estatais e criaram inúmeras dificuldades que, na prática, impediam o financiamento de empresas nacionais. Por outro lado, foram criadas inúmeras facilidades para o financiamento de empresas estrangeiras, como mecanismo para atração do capital internacional.

Sem planejamento, o Brasil ficava à mercê do planejamento das empresas privadas. Sem competitividade nas empresas nacionais, e com as facilidades para o capital internacional, o Brasil, monitorado por FMI, Banco Mundial e outros, ficava à mercê do jogo do mercado internacional.

Recursos para as áreas sociais eram classificados como ‘despesas’. O governo não podia elevar suas despesas. A indústria nacional tinha capacidade para atender apenas as demandas de 30% da população. De acordo com a doutrina econômica vigente, para não elevar a inflação, o governo não podia elevar suas despesas e não cabiam 100% dos brasileiros no mercado de consumo. Assim, para o pires das planilhas, no Brasil não cabiam todos os brasileiros. Fatalmente, muitos eram excluídos. O Brasil era um país voltado para 30% de sua população. A exclusão social era um mecanismo de controle da inflação e do processo de desenvolvimento.

Eram tempos emocionantes. Para estômagos fortes. Vivíamos numa montanha russa permanente. Cada solavanco na conjuntura internacional, entravámos em depressão profunda. Um breve momento de subida e, nova depressão profunda. O poço parecia não ter fundo. Breve subida para tomar fôlego e nova depressão profunda. Fortes emoções. Não se sabia o que viria a seguir. Não era possível prever  o que  nos esperava na próxima estação. Há que admitir que não dava para reclamar de monotonia.

As coisas mudaram. Viraram uma chatice. Encerraram as atividades da montanha russa. O Brasil faz planos.

O planejamento energético foi recuperado. Não se fala mais em apagões. O Brasil recuperou o controle do pré-sal. A Petrobrás voltou a ser um grande player nacional e internacional. A Telebrás foi recuperada e, até 2014, 100% dos brasileiros poderão ter acesso à internet banda larga. O planejamento dos transportes volta a ser determinado pelo Estado. Recuperamos a soberania e o poder de auto-determinação.

E, last but not least, para arrepio dos “doutores” das leis econômicas, a doutrina foi subvertida. Recursos sociais deixaram de ser vistos como ‘despesa’ e passaram a ser classificados como ‘investimentos sociais’. O desenvolvimento passou a ter todos os brasileiros como meta. Criaram-se mecanismos de distribuição dos ganhos do crescimento econômico. E, mesmo contra todas as previsões dos “doutores”, o Brasil cresce em ritmo acelerado, a inflação está sob controle, deixamos de sucumbir aos solavancos da economia mundial.

Sem dúvida, a diferença mais extraordinária entre os projetos está na inclusão social. Deixamos de ser um país de planilhas da profundidade de um pires e passamos a conhecer o Brasil profundo, o Brasil interior, o Brasil das periferias. O governo compreendeu que tem o dever de perseguir o objetivo de atender às necessidades de 100% dos brasileiros. Finalmente, o Estado brasileiro rompeu o Tratado de Tordesilhas, e percebeu que tem um gigantesco potencial interior. A inclusão social passou a ser o principal mecanismo de crescimento e desenvolvimento. Mas, isto são apenas coisas de pobres.

Enfim, neste início de século XXI, finalmente, temos razões ainda mais fortes para comemorar a Independência. Somos capazes de determinar nossos próprios destinos, sem ingerências, sem tutela, sem monitoramentos.

Milhões de pessoas estão vivendo muito melhor. Chegam a sonhar e ousam fazer planos. Quanta monotonia, sonhos e planos chegam a se realizar. Afloram emoções humanas. Entretanto, para os analistas de pires, baseados em suas planilhas, as diferenças entre as jacas e as azeitonas são apenas sutis e despercebidas. Coisas de pobres.

(07/setembro/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Motes e ato falho

Author: Delman Ferreira

Motes de campanha quase sempre passam despercebidos. Nunca são ouvidos. Mas, quando lhes damos a devida atenção, têm muito a nos dizer.

Os motes das atuais campanhas para a Presidência estão aí gritando o que pensam seus respectivos candidatos.

O mote de Dilma Rousseff é “Dilma – para o Brasil seguir mudando”. Associa-se à principal meta apresentada pela candidata, que é a erradicação da miséria até 2014. Mote e meta nos dizem que, na avaliação de Dilma, no período do governo Lula o Brasil mudou para muito melhor, houve grandes avanços e conquistas. Partindo desta avaliação, a candidata propõe dar continuidade e aprofundar os avanços, no campo econômico e, principalmente, no campo social.

O mote de Marina Silva é o desenvolvimento com sustentabilidade. Marina apresenta ao país uma proposta-desafio: construir um novo modelo de desenvolvimento, seguindo princípios da sustentabilidade. Baseado no respeito à vida e ao Planeta, sem descuidar do crescimento econômico. É uma proposta-desafio cujos conceitos não são amplamente dominados, entretanto, demarcam claramente o pensamento da candidata e o caminho que propõe para o Brasil.

O mote de José Serra é “O Brasil pode mais”. Assim como fizemos com os outros, vamos prestar atenção e tentar saber o que ele tem a nos dizer. “O Brasil pode mais” significa, concretamente, o que?

Países precisam ter norte, precisam definir objetivos estratégicos. Todo governo precisa fazer opções. Dilma nos diz “vou aprofundar o desenvolvimento social”. Marina propõe desenvolver mudando a cultura de desperdício dos recursos do Planeta. E Serra, qual é o foco? O Brasil pode mais o que?

É um mote, evidentemente, inspirado no slogan do candidato Obama, quando disputou as eleições estadunidenses. Obama, num momento em que os Estados Unidos enfrentavam uma grave crise econômica, dizia “Yes, we can” (”Sim, nós podemos”). Hoje, Serra diz “O Brasil pode mais”.

Quando prestamos atenção ao slogan demotucano, ele denuncia claramente que Serra continua pensando: “o que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil”. Nos Estados Unidos, Obama usou “Yes, we can” e venceu. Logo, para tentar vencer no Brasil, Serra importou o slogan estadunidense. Lá, eles diziam: “Sim, nós podemos”. Aqui, eles dizem: “O Brasil pode mais”.

O slogan de McCain, o candidato republicano que perdeu para Obama, era “ready from day one”. Numa tradução livre, significa ”pronto desde que nasceu”. Seguindo a mesma lógica, se McCain tivesse vencido as eleições nos Estados Unidos, o slogan copiado por  Serra, certamente, seria: “ Nascido para governar”, ou qualquer coisa parecida.

“O Brasil pode mais” não é um mote, é um ato falho.

(ago/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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(por Jorge Furtado em 25 de julho de 2010)

Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.
 
Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)
 
Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.
 
Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes.
 
1. “Alternância no poder é bom”.
 
Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.
 
2. “Não há mais diferença entre direita e esquerda”.
 
Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias. O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de “esquerdistas”, como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da “direita” do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.
 
3. “Dilma não é simpática”.
 
Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito “simpatia” depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.
 
4. “Dilma não tem experiência”.
 
Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.
 
5. “Dilma foi terrorista”.
 
Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.
 
6. “As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano”.
 
Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate “quem começou o quê” torna-se irrelevante.
 
7. “Serra vai moralizar a política”.
 
Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista – no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC – foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela “Operação Sanguessuga”. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com “engavetador da república”, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de “mensalão” foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no “mensalão do DEM”. Roberto Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.
 
8. “O PT apóia as FARC”.
 
Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?
 
9. “O PT censura a imprensa”.
 
Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram “a posição oposicionista (sic) deste país”. Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.
 
 
10. “Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra”.
 
Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.
 
@@@ 
 
(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.
 
- Geração de empregos:
FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões
 - Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares
 - Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões
 - Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos
 - Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78
 - Reservas cambiais:
FHC/Serra = 185 bilhões de dólares negativos x Lula/Dilma = 239 bilhões de dólares positivos.
 - Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%
 - Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%
 - Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%
  
(2) Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 25.07.10:
 
José Serra começou sua campanha dizendo: “Não aceito o raciocínio do nós contra eles”, e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro. O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos.

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Jorgte Furtado
*Um dos mais respeitados cineastas brasileiros, Jorge Alberto Furtado, 51 anos, trabalhou como repórter, apresentador, editor, roteirista e produtor. Já realizou mais de 30 trabalhos como roteirista/diretor e recebeu 13 premiações dentre os quais, o Prêmio Cinema Brasil, em 2003, de melhor diretor e de melhor roteiro original do longa O homem que copiava.

Blog de Jorge Furtado

(jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Mente, comumente

Author: Delman Ferreira

José Serra, o candidato demotucano, é apresentado por seus pares, e pela imprensa, como um político altamente preparado, competente, experiente, hábil, e com outras tantas qualidades.

Entretanto, infelizmente, este início de campanha está desnudando um outro tipo de candidato.  O que se destaca é  a incapacidade para lidar com reveses e situações adversas. Infelizmente, porque todos esperávamos que o principal candidato da oposição fosse capaz de  manter um debate de alto nível.

Enquanto as pesquisas apontavam larga vantagem sobre os outros possíveis candidatos, Serra  mostrava-se magnânimo. Comportava-se como um escolhido que apenas esperava o pleito para confirmar sua superioridade.

Quando as pesquisas passaram a apresentar resultados adversos, Serra perdeu o equilíbrio. Perdeu a fleuma. Perdeu toda a pretensa habilidade. Chega a lembrar uma certa seleção, que só sabe jogar quando está na frente, perde as estribeiras quando está diante de um simples empate.

Por desprezar planejamentos, quando precisou de reservas, não tinha com quem contar. Partiu para o tudo ou nada. Tentou se apresentar como a continuidade de Lula. Não deu certo. Tentou seduzir com promessas de mais dinheiro para o Bolsa Família. Não deu certo. Chamou o Felipe…, digo, Indio da Costa, para bater pesado. Não deu certo.

Por fim, partiu para as mentiras.

Diz que foi o criador do FAT e do Seguro Desemprego. Mentira, como está comprovado na matéria  “Jornal desmascara mentira de Serra: emendas ao artigo 239 da  Constituição foram rejeitadas”.

Diz que foi o criador dos genéricos. Mentira, como está demonstrado no texto “quem de fato é o pai dos genéricos”, publicado em 16 de junho de 2009.

Diz que o apagão de 2001 foi por falta de chuvas. Mentira, como demonstro em: O desmonte do Planejamento e o Apagão 2001.

Serra mente. Como mente.

É DILMA. Para o Brasil continuar mudando.

jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Teatro do absurdo

Author: Delman Ferreira

O candidato José Serra tem toda a razão quando fala que planejar é importante. Entretanto, José Serra é o último dos brasileiros que poderia se apresentar para falar da importância do planejamento.

José Serra, o Ministro do Planejamento de Fernando Henrique Cardoso, foi o responsável pelo desmonte dos principais órgãos de planejamento do Estado Brasileiro.

Até 1994, o Brasil possuía órgãos como GCPS, GCOI, GEIPOT, CQPD, e outros, que eram responsáveis por pensar a infraestrutura do País. Todos foram desmontados. Não satisfeito com o desmonte, José Serra tomou providências para que jamais fossem reconstruídos.

Os órgãos foram extintos e, durante seu período, nenhum outro órgão foi criado ou designado para cumprir a tarefa indispensável de pensar o País. Os trabalhadores destes setores foram definitivamente afastados, demitidos ou aposentados de forma compulsória.

Em favor do ex-ministro, pode-se afirmar que, na época, ele foi coerente com a ideologia que anima o grupo do qual faz parte. Os demotucanos, até hoje, tem como premissa que a melhor estratégia para o País é criar um ambiente favorável ao mercado.  E deixar que a dinâmica do mercado, livremente, sem interferências do Estado, se encarregue de resolver nossos problemas.

Ao desmontar o planejamento, o ministro José Serra foi coerente com o que pensava na época. Cabe, então, perguntar se o candidato José Serra mudou de opinião? Mudar de opinião é humano e demonstra inteligência. Entretanto, caso tenha mudado, deveria informar a seus possíveis eleitores que razões que o levaram a mudar.

Quando Ministro do Planejamento, José Serra desmontou os órgãos de planejamento. O resultado mais visível deste desmonte foi o Apagão Elétrico de 2001.

É sempre interessante lembrar que em 2001 não tivemos uma simples queda de energia momentânea.

Não foram apenas algumas horas sem energia. Foi um corte de 20% de toda a energia do País durante sete meses.

A economia brasileira sofreu um retrocesso brutal por causa desse apagão. O PIB brasileiro caiu 2%. Não havia crises mundiais ou crises regionais, a economia brasileira foi jogada numa crise interna por causa do desmonte do planejamento que atrofiou a capacidade de reação diante de qualquer turbulência.

Um corte de 20% da energia elétrica, por sete meses, poderia ter consequencias gravíssimas para a vida do País. O desastre não foi maior porque a criatividade e iniciativa dos brasileiros nos salvaram.

Por fim, não satisfeitos em nos atirar numa crise gravíssima, decidiram “castigar” os brasileiros. Os consumidores tiveram que ressarcir as empresas privadas por “lucros cessantes”. Tiraram sete bilhões dos bolsos dos consumidores para garantir o lucro da iniciativa privada.

Vejamos a sequência dos acontecimentos: a) Serra desmontou o Planejamento. Tinha fé que o mercado se encarregaria das medidas para a expansão e segurança do setor elétrico brasileiro; b) Serra entregou o setor nas mãos da iniciativa privada; c) FHC colocou os demotucanos do PFL para gerenciar o MME, a Eletrobras, a ANEEL, as empresas regionais, e todos os órgãos do setor elétrico; d) Não tinham competência, nada foi feito – o setor ficou à deriva; e) Em 2001, deu-se o Apagão: 20% a menos de energia elétrica durante sete meses; f) tentaram colocar a culpa na falta de chuvas; g) sem Planejamento, o País não teve como tomar iniciativas; h) a população tomou suas próprias iniciativas e se protegeu das barbeiragens do governo e das empresas. i) Coroando a incúria, o Governo aplica um “castigo” na população.

É o velho “capitalismo à brasileira”: privatização dos lucros e socialização dos prejuízos. Quando não há lucros, o governo demotucano se encarrega de punir a população.

Parece teatro do absurdo. Mas, é o jeito Serra de planejar.

(mai/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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