Posts Tagged ‘metrô’

esse Dunga faz coisa…

Author: Delman Ferreira

Desço do metro e esbarro com uma cena impensável: um sujeito vestido com o uniforme do Flamengo e enrolado numa bandeira do Vasco. Camisa do Flamengo, calção do Flamengo, meião do Flamengo e… enrolado na bandeira do Vasco.

Todo mundo que saia do metro ficava sem acreditar. Ninguém se segurava. Uns ficavam espiando meio de rabo de olho, outros foram logo se chegando. De imediato, formou-se um bolinho em volta do sujeito. Todos queriam saber o que era aquilo.

- Isso é culpa daquele FI-LHO-DA-PU-TA do Dunga, tentava explicar o enrolado.

- ???!!!

- Eu acreditava naquele filhodaputa. Tinha certeza que o Brasil ia atrair os coreanos e enfiar um saco de gols. Eu apostava que o Brasil ia fazer uns cinco. Daí, essa minha boca grande jurou que se o Brasil não metesse três eu saia no metro vestido com essa porra desse uniforme.

Deu no que deu… 2 X 1. Os amigos não perdoaram. Precisavam descarregar em alguém.

- Eu sou homem de uma palavra só. Mas, nunca vou trair o Vascão. To aqui, com essa porra desse uniforme, mas, com o manto sagrado do Vascão por cima pra isolar qualquer desgraça.

Olhava pra uns, olhava pra outros. Fazia beicinho. No limite do choro…

Maior sucesso. Em tempos de Copa, tudo é farra. Vaias. Aplausos. Gritos de Mengão de um lado. Vascão de outro. Alguém grita:  “É isso aí, jura de jogo é sagrada, mas o Vascão é mais”…  “Chama o Galvão”… “Filma eu, Galvão”… “Cala a boca Galvão”…

Não faltou nem vuvuzela.

Já engrandalhado com seus quinze minutos de celebridade, o enrolado ainda fez questão de jurar:

- E tem mais, quando chegar em casa vou ficar umas duas horas debaixo do chuveiro pra tirar essa nhaca de urubu de cima de mim…

(jun/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Entreouvido no Leblon

Author: Delman Ferreira

O diálogo a seguir foi ouvido no calçadão da praia do Leblon neste domingo, 07/02/2010.

Antes, para que os não moradores do Rio possam se situar, vamos fazer um preâmbulo.

O metrô do Rio foi inaugurado há mais de 30 anos. Chegou à Copacabana e parou por ali. Ipanema aguardava uma estação há mais de 20 anos. Finalmente, no dia 21/dez/2009, foi inaugurada a Estação Ipanema/General Osório. Facilitou a vida de milhares de pessoas que vão e vem de Ipanema/Leblon para trabalhar ou para curtir as praias e o que mais estes bairros tem para oferecer.

Mas, nem todos ficaram satisfeitos. Tem gente que ainda sonha com um “apartheid disfarçado”, uma espécie de “liberdade faz-de-conta”. Para estes segregacionistas, aquela parcela da população que eles chamam de “povo”, ou “povinho”, só pode chegar aos seus redutos privilegiados quando for para servir, jamais para usufruir.

Vamos ao diálogo entre dois casais que faziam sua caminhada dominical no calçadão do Leblon:

- “Esta praia está cada vez mais insuportável”, diz uma das senhoras.

- “Ficou assim depois que inauguraram este metro, agora qualquer um pode vir a praia no Leblon. Toda a Zona Norte desce para o Leblon.”, concorda um dos acompanhantes.

- “Deviam fechar o metro aos domingos.”. Responde o outro – com a concordância de todos os segregacionistas.

(fevereiro/2010)

“um outro mundo é possível”

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Batismo de Fogo

Author: Delman Ferreira

Acabo de receber meu (quase literal) batismo de fogo no Rio de Janeiro.

Centro do Rio – 33 graus. Eu, de terno azul escuro, sapatos pretos, meias pretas, e… GRAVATA – 12 horas – sol inclemente – saio para fazer um favor para uma amiga baiana: Ir ao Maracanã comprar ingressos para o jogo do Vasco no sábado.

Caminho até o Metrô. Pela sombra, quando possível. 7 minutos. Rio – 33 graus. Eu – terno e gravata. Metrô Linha 1 – ar condicionado precário – uns 42 graus. Metrô Linha 2 – sem ar condicionado – uns 66 graus. Salto na Estação Maracanã – recebo no rosto aquela deliciosa brisa de 33 graus.

30 minutos na fila – debaixo do sol. Lá fora, 33 graus – dentro do terno, 66 graus. Consigo meu troféu de batismo = 4 ingressos para o jogo do Vasco. Feliz por ter conseguido os ingressos – faço o caminho de volta.

Metrô Linha 2 – 66 graus. Lotado – gente estressada, apressada, à beira de um ataque de nervos. Metrô Linha 1 – mais lotado ainda – temperatura mais amena – uns 52 graus. Entrar e sair de metrô lotado requer uma elaborada estratégia de abordagem e um sofisticado plano de fuga para quando chegar a estação na qual devemos descer. 

Desço na Estação Uruguaiana – recebo no rosto, alegremente, uma suave brisa de 33 graus.

Este batismo foi apenas meu primeiro choque de realidade. O rito de passagem continua. Final do mês vou comprar ingressos para Flamengo X Grêmio pra levar o Bruno. Vou de taxi, sem terno e de sandálias – evidentemente.

 É dura a vida de carioca.

(novembro/2009)

 ”um outro mundo é possível”

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