ago
30
2010
Grande e para todos
Author: Delman FerreiraLalá,
não concordo quando afirmas que: ‘a candidata escolhida por Lula não diz a que veio e só se permite comparar indicadores do governo Lula contra os do governo FHC’. Não concordo, e não poderia perder a oportunidade para mais um bom debate.
Penso que uma eleição presidencial é uma grande oportunidade, renovada a cada 4 anos, que o país inteiro tem para refletir e se perguntar o que quer ser, onde pretende chegar ao fim dos próximos 4 anos.
Esta é a pergunta que os atuais candidatos tem que responder: O que seremos em 2014? O que apontamos para 2020? E 2050? Um governo tem a obrigação de apontar caminhos e dizer claramente para onde seu projeto levará o País. Um governo tem que despertar sonhos e renovar esperanças.
Não basta apenas apresentar propostas pontuais para Saúde, Educação, Segurança, Cultura, Esportes, Infraestrutura, Meio Ambiente, etc. É preciso apontar um norte para onde o país se encaminhe. Um objetivo a ser alcançado. Um nexo que aglutine todos os planos setoriais. De tal forma que Saúde, Educação, Segurança, e todos os outros planos, tenham coerência entre sí e, pela sinergia, se somem para alcançar o objetivo traçado. Principalmente, é preciso ter um objetivo que conquiste e mobilize a Nação.
Dilma nos oferece um projeto com este perfil. Claro, objetivo e contundente: erradicar a miséria até 2014 e consolidar o Brasil como um dos protagonistas e líderes mundiais. Um país grande e para todos. Um ambicioso projeto, eivado de ousadia.
Não devemos, jamais, esquecer que, até 2003, o Brasil era um país monitorado por organismos internacionais, como FMI, Banco Mundial, etc. Nos tratavam como incapazes. Éramos governados por um pensamento colonizado e subalterno. Um país teleguiado, que tinha abdicado da Soberania e de determinar os próprios destinos. Auto-determinação e Soberania eram palavras malditas, coisa de esquerdistas radicais jurássicos.
A miséria e a exclusão social eram intrínsecas ao nosso método de organização e de desenvolvimento. Eram parte constituinte dos planos de crescimento. De acordo com a ideologia vigente, não seria possível integrar 100% dos brasileiros no mercado de consumo porque nosso parque industrial não comportaria. Sem produção e sem oferta, a pressão de demanda provocaria maior inflação. Fruto dessa lógica perversa, para não elevar a inflação, a grande maioria da população (mais de 70%) era condenada e excluída dos benefícios de qualquer crescimento, eram não-cidadãos não-desejados. Como resultado, tínhamos um país refém de planos externos e voltado para menos de 30% da população.
Erradicar a miséria e garantir os caminhos para ascensão social, implica que o país vai ter que se estruturar de forma sustentável para receber todos estes milhões de novos cidadãos, com suas naturais demandas e exigências sociais.
Setores como Educação, Saúde, Segurança, Meio Ambiente, Infraestrutura, Cultura, Esportes, etc., deverão ganhar musculatura para atender uma nova realidade na qual os brasileiros, na medida em que elevam seu padrão de vida, também elevam seu padrão de exigência. Essa dialética social será um mecanismo determinante para garantir a sustentabilidade do projeto de um país grande e para todos.
Um país capaz de erradicar a miséria e se colocar como protagonista mundial, disputando espaços geopolíticos com os gigantes que sempre impuseram sua vontade ao mundo, será um país muito melhor do que este que temos hoje.
Dilma nos convida a sonhar com um Brasil Grande e para Todos. Sonhar um sonho que se sustenta na realidade e na dialética do próprio processo de construção de um novo Brasil.
(ago/2010)
“Um outro mundo é possivel”