jun
16
2009
Hipócrates tinha razão (II)
Author: Delman FerreiraUma amiga chamou minha atenção que, no último texto deixei a impressão, generalizante, de que os médicos ou seriam uns exagerados ou iriam contra os pacientes.
Quero registrar que não foi esta a minha intenção. Pelo contrário, considero perfeitamente compreensível que os médicos fiquem muito preocupados quando alguém diz que vai se cuidar por meio de mudanças nos hábitos alimentares. Afinal, é da responsabilidade deles garantir a saúde dos pacientes. E o mais comum é que as pessoas se proponham a cuidar da alimentação, mas desistam rapidamente diante das primeiras dificuldades. E, quando isso acontece, os males se agravam e os médicos são responsabilizados. É natural que ouçam propósitos de mudança de hábitos com desconfianças e reservas.
A generalização de críticas, infalivelmente, nos leva a cometer o erro de injustiçar àqueles que procuram orientar seu trabalho por princípios e valores que respeitam e dignificam a humanidade.
Por outro lado, tenho implicância contra certos profissionais, ou indústria, mais preocupados com os negócios do que com a saúde. Considero um crime (inclusive por parte de quem permite) fazer propaganda e marketing de remédios ou cirurgias ‘milagrosas’ nos meios de comunicação de massa. Jogam irresponsavelmente com a desinformação, a insegurança e a ansiedade de pessoas debilitadas e/ou carentes.
Fala-se muito em ética na propaganda, autoregulação etc. Mas, o grande desafio é fazer o trabalho de conscientização. Como já disse, na minha opinião, a educação alimentar deveria iniciar na infância e ser parte do curriculo básico obrigatório, em todas as escolas, públicas e privadas, em todo o território nacional, desde o Ensino Fundamental até a Graduação. A saúde pública brasileira, certamente, seria muito menos congestionada e caótica.
Portanto, se deixei a impressão de estar desmerecendo médicos, pesquisadores, ou outros profissionais da saúde, que se pautam pela ética e fazem medicina com seriedade, quero me desculpar e deixar muito claro que tenho o maior respeito por quem respeita as pessoas e faz da profissão (em qualquer área) uma militância e um caminho para melhorar a qualidade de vida e os padrões de nossa civilização.
(um outro mundo é possível)