abr
30
2009
Tendão de Aquiles
Author: Delman Ferreira
Depois de muito relutar, “meti a tesoura no Tendão de Aquiles”.
Desde 2007, vinha sentindo dores fortes no tendão do pé direito, chamado Tendão de Aquiles.
Naquela época eu estava me preparando para correr a Meia Maratona do Rio de Janeiro. Num dos treinos, fiz 14Km num trecho com subidas acentuadas e senti umas fisgadas no tendão do pé direito. A partir daquele dia, passei a sentir dores frequentes.
Edson, nosso preparador, insistiu que eu deveria primeiro tratar as dores, e, talvez, deixar a Meia para o outro ano. Mas, eu não quis parar. Não queria deixar de fazer a Meia Maratona naquele ano. Minha ansiedade não me deixa adiar as coisas para depois.
Durante a corrida, em setembro/2007, senti um pouco o tendão, mas segui em frente.
Depois da Meia, fiquei um tempo sem correr, apenas fazendo caminhadas de recuperação. As dores não voltaram, então comecei a me preparar para a Corrida da Pampulha, em BH.
A Pampulha foi no início de dezembro/2007. São 18 KM. Quando passei pelo KM 9, senti uma pontada forte no tendão. Mas, resolvi seguir em frente. Gradativamente a dor foi se acentuando e corri os últimos quilômetros, até a chegada, mancando da perna direita. Depois disso, o tendão nunca mais prestou. Não conseguia mais fazer nem treinos leves.
Em março do ano passado (2008), consultei um ortopedista que queria operar logo. Dizia que era o melhor a fazer. Segundo ele, quando um tendão está com lesão séria, o melhor é fazer uma cirurgia para limpeza de toda a área, ligamento e reforço dos tendões. Depois, com a regeneração, tudo fica como novo.
Todavia, preferi ouvir outras opiniões. Tentei de tudo. Fiz pilates, alongamentos, acupuntura, massagens orientais – tratamentos que podem ter ajudado, mas não resolveram. (Quase recorri às benzeduras, “trabalhos”, pastores universais, oráculos transcendentais, água benta, reza braba, pomadinhas milagrosas, garrafadas, nitroglicerina, beijinhos doces, …).
Só perdi tempo. Fiquei sedentário e virei criador – passei a fazer “criação de barriga”.
Finalmente decidi. Voltei ao mesmo ortopedista e “meti a tesoura no tendão”.
No meu caso, o pior foi o stress pré-operatório: exames,… mais exames e…. mais exames. A conversa do anestesista, já na sala de cirurgia, também é sinistra.
Tirante isso, tudo correu muito bem. O médico se disse surpreso. Imaginava que meu tendão estaria muito mais estragado, mas encontrou um quadro bem menos trágico. Certamente foram efeitos positivos dos alongamentos, da acupuntura e do shiatsu. Pelo que me explicou, os tendões se parecem com cabos de telefone: um cabo com diversos fiozinhos por dentro. Assim são os tendões, um conjunto composto por inúmeros nervos.
Quando os tendões ficam doloridos, é porque alguns destes fiozinhos (nervos) vão rompendo e ficam machucados. Como os tendões são pouco irrigados e recebem pouca oxigenação, a regeneração espontânea é muito lenta. A cirurgia é feita para limpar, religar e acelerar a regeneração destes nervos rompidos. Se o número de nervos rompidos é muito grande, cirurgia e posterior recuperação são muito mais difíceis. No meu tendão, havia poucos nervos rompidos, então a recuperação será mais fácil. Vou ficar umas tres ou quatro semanas sem poder colocar o pé no chão.
Depois…
Lá estarei novamente, no Rio de Janeiro, em BH e tantas outras provas por este Brasil, pelo mundo… e pelos arredores.
(abr/2009)
“Um outro mundo é possivel”


