Michael Jackson – a trilha sonora de nosso desbunde.
Nunca gostei do tipo de cobertura sensacionalista e cansativa que a imprensa faz de tragédias ou morte de alguma celebridade. Mas, semana passada, me peguei grudado na TV acompanhando a repercussão da morte de Michael Jackson, principalmente as retrospectivas da carreira.
Fiquei me perguntando porque isso me interessava tanto. E percebi que Michael Jackson me remetia para tempos de reviravolta em minha vida. Tempos de questionamentos, de experimentação, de erros, acertos, descobertas e libertação.
Frenéticas, Rita Lee, Paralamas, Legião Urbana, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Gil, Caetano, Geraldo Azevedo, Barão Vermelho, Cazuza, Blitz… e tantos outros, também fizeram a trilha sonora daquele tempo. Mas, confesso que Michael Jackson me fez caminhar nas nuvens.
O mundo teve seu desbunde nas décadas de 60 e 70. Hippies, festivais de paz e amor, 1968, sutiãs queimados, pílula, LSD, mini-saia, Janis Joplin, Jimi Hendrix,… Até quando John Lennon percebeu que “o sonho acabou“. O sonho e o desbunde foram capturados pelo mercado e viraram apenas mercadoria. Nesse período, o Brasil vivia debaixo das botas de uma ditadura obscurantista, truculenta e torturadora. Como todas, era mais uma ditadura que não admitia o sonho. Prendia e torturava quem questionasse as verdades militares e ousasse pensar, se expressar e viver com liberdade. Todas as ditaduras temem o riso e o sonho.
O Brasil só viveu seu desbunde na década de 80. Abrimos nossas asas, soltamos nossas feras e caimos na gandaia – como dizia uma música das Frenéticas. Arriscamos, sonhamos, sofremos, rimos, choramos, conquistamos, inventamos, ficamos engrandalhados… e dançamos – muito – mesmo sem saber dançar. Num thriller com Michael Jackson.
Já era impossível acreditar que ele faria 50 anos. Seria o mesmo que acreditar que Peter Pan algum dia faria 50 anos. Agora me dizem que ele morreu.
Chego a questionar se Michael Jackson existiu mesmo ou seria produto de nossos delírios, fruto de uma viagem, de algum cogumelo. A única certeza que podemos ter é que logo o encontraremos ali no Morro do Baco Baco, na volta de alguma caminhada pela lua, arrepiando no Bar do Tião. Finalmente Livre. Finalmente Eterno.
Foi-se muito cedo. Mas, existirá para sempre. Nas nossas viagens para a Terra do Nunca de cada um. Em nossos passos desajeitados. Em nossas reviravoltas.
Gone too soon – Tributo a Michael Jackson (clique para assistir)
(jul/2009)
(um outro mundo é possível)
« (retornar)
Tags: Bar do Tião, delírios, ditaduras, libertação, Michael Jackson, moonwalk, Morro do Baco Baco, riso, sonhos, thriller, trilha sonora
Posted in Morro do Baco Baco, Sociedade |