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Proibida para maiores

Author: Delman Ferreira

Há muito sabemos que a revista VEJA é a pior publicação do País.

Há muito se sabe que não passa de um panfleto conservador dedicado à promoção e divulgação do pensamento mais ultrapassado que ainda se arrasta pelo mundo e tenta sobrevida em pleno século XXI.

Foi criada em 1968 – um ano emblemático. 1968 foi o ano em que idéias libertárias sairam dos guetos e se disseminaram pelo mundo. Veja não viu (ou não entendeu) nada disso. O que Veja preserva de 1968 é o ideário do AI-5, o golpe dentro do golpe.

A soberba vai se encarregar de colocar este panfleto no seu devido lugar: o lixo da história.

O TSE já deu o primeiro empurrão, vejam estas decisões:

1. http://agencia.tse.gov.br/sadAdmAgencia/noticiaSearch.do?acao=get&id=1319489

2. http://agencia.tse.gov.br/sadAdmAgencia/noticiaSearch.do?acao=get&id=1320491

A VEJA deveria ser proibida para maiores.Veja, só para menores – menores de espírito.

(ago/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Haja…

Author: Delman Ferreira

Transeuntes!

Transeuntes!

A ameaça comunista ronda vossos lares! Querem destruir vossas famílias!

Eles andam sumidos das ruas. Mas, até pouco tempo, invadiam nossas cidades com suas flâmulas gigantescas, bradando refrãos apocalípticos com vozes graves e aterradoras. Tradição, Família e Propriedade – a expressão mais apurada do conservadorismo ao sul do equador.

Hoje, eles invadem nossos computadores com enfadonhas e patéticas teorias conspiratórias.

Conservadores. Um tipo de gente que é contra avanços. Movimentos? Só para os lados, vagarosamente. Passo à frente? Jamais. Qualquer indício de evolução provoca urticárias nessa turma. Entendem que tudo o que se move para frente vai contra leis superiores. Forjam leis e se opõem a qualquer alteração no mundo em que estão confortavelmente situados.

Abaixo a ciência! Deve ser uma de suas bandeiras mais acalentadas.

Alguns dos primados conservadores ao longo do tempo: o mundo, e tudo que nele habita, foi criado há seis mil anos. O sol e o universo giram em torno da Terra – quem ousou afirmar o contrário foi queimado nas exemplares fogueiras purificadoras. As mulheres existem para servir aos homens. Homossexualismo é deformação. Pobres devem resignar-se à pobreza – para sempre condenados a trabalhar para tornar os ricos ainda mais ricos. Contra o voto das mulheres. Contra o voto universal. Contra tudo que cheire a povo. Contra o direito de férias. Contra o descanso semanal. Contra a ciência. Contra o prazer… Contra. Sempre contra qualquer avanço social.

…E seguem os credos. A cada novo passo a humanidade teve, e tem, que superar a ira e os obstáculos conservadores. Sempre em nome da moral cristã.

Caso a humanidade seguisse o pensamento conservador, jamais andaríamos eretos e de cabeça erguida.

Há dois milhões de anos, quando alguns primatas ensaiaram os primeiros passos eretos, apenas sobre dois pés, os conservadores imediatamente se colocaram contra. Elaboraram estudos para demonstrar que a coluna humana não foi feita para estar ereta. Que o pescoço não resiste à cabeça erguida. Que os joelhos  não suportariam o peso do corpo. Enfim, que os humanos deveriam estar sempre, e para sempre, genuflexos.

Na época, a imprensa conservadora entrou firme na campanha contra a ousadia.  Eis algumas manchetes do jornal Folha Quatrocentona: “Bípedes desafiam as leis naturais”, “Foras da Lei são vistos caminhando sobre dois pés”, “Bípedes ameaçam a paz mundial”. O Jornal Marinhal, principal telejornal da Rede Gondwana, denunciou: “Desequilibrado, Hugo chaves ameaça estatizar meios de comunicação”. E o papagaio Vil Banner, circunspecto, repetiu a matéria: “O bolivariano Hugo Chaves, visivelmente desequilibrado, ereto, apenas  sobre dois pés, ameaça estatizar os cipós, o ar e os ventos, para controlar todos os meios de comunicação entre primatas que se oponham à ideologia bípede”.

E assim seria, se a humanidade seguisse o pensamento conservador: ainda estaríamos de quatro.

Jamais vou defender que seja feito contra os conservadores o mesmo que eles costumam fazer contra quem se opõe às suas “verdades”. Jamais defenderei que alguém seja submetido à tortura ou jogado na fogueira. Entendo que os conservadores têm o democrático direito de defender suas idéias retrógradas… Mas, cá entre nós, haja saco…

(mai/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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O Filho de Tainá

Author: Delman Ferreira

O Pai do Pai do Bentinho criou-se ali pela Fazenda. Pelo que lembrava, era filho de ex-escravos. Tangia gado, plantava, colhia, moía, limpava, ajeitava, era festeiro,… Fazia de um tudo.

O Pai do Bentinho também foi ficando por ali. Fazendo de um tudo. Vivia das sobras da Fazenda. Sobras de comida. Sobras de roupa. Sobras de uma coisinha ou outra que não serviam mais para a Casa Grande. Sobras de tempo pra cuidar da família.

Bentinho não teve oportunidade de conhecer outro destino. Seguiu fazendo de um tudo. Era Bentinho pra lá e Bentinho pra cá. Nada acontecia sem Bentinho benzer.

Os sinhozinhos gostavam muito do Bentinho. Do Pai do Bentinho. Do Pai do Pai do Bentinho… “Eram como se fossem gente da família”.

Bentinho casou. Tainá era calada, mas não resignada. Fez de tudo, até que conseguiu ver o filho estudando. “Queria que alguém da família conhecesse as letras”.

O Filho do Bentinho aprendeu que os trabalhadores têm direitos. Que tem hora pra trabalhar e tem hora pra descansar. Direito de descansar no sábado e no domingo. Direito de férias. Direito de se cuidar quando ficar doente. E tem direito a salário no fim de cada mês.

Ensinou tudo isso para os pais. Tainá ficou matutando e passou a questionar Bentinho. “O menino estuda, ele sabe das coisas. Se ele diz que nós temos direito é porque temos direito.”.

Tainá sempre sonhou comprar umas coisinhas que fossem só dela. Não queria viver pra sempre das sobras da Casa Grande. Queria um vestido novo. Queria sair nos domingos. Sonhou dormir “até depois do galo cantar”. Sonhou com férias. Sonhou passear só ela e Bentinho. Sonhou que um dia ela poderia ir ao médico. “O Menino estuda. Ele disse que a gente tem direito”.

Tanta pressão de Tainá, que Bentinho quebrou um silêncio de gerações. Foi falar com Sinhozinho. Contou o que o menino tinha explicado. Que não era certo ele não receber salário. Que ele tinha direito a férias. Que ele tinha direito a ter documentos. Carteira assinada e outras coisas.

Foi imediatamente posto pra fora da Casa Grande. E ameaçado: “Caso voltasse ali com essas idéias comunistas seria posto pra fora da Fazenda”.

Onze anos de idade. O Filho de Tainá. Um perigoso comunista. Pronto para desestabilizar a paz secular e destruir as famílias.

Estudou. Compreendeu que tinha direitos. Virou impertinente.

(abr/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Sorte é um fenômeno que não tem nenhuma influência nas descobertas de novas reservas de petróleo. Novas descobertas dependem exclusivamente de avançado conhecimento científico, elevados investimentos, planejamento e, principalmente, determinação estratégica.

Em função do pensamento estratégico dominante, nos anos 1990, o Brasil quase perdeu o controle sobre a riqueza do pré-sal.

Na década de 1980, geógrafos e geólogos brasileiros, por meio de análises científicas, já haviam percebido que nossa plataforma continental poderia guardar reservas de petróleo significativas. Entretanto, por falta de tecnologia apropriada, as pesquisas avançaram em ritmo relativamente lento, apenas em laboratórios e teses acadêmicas.

Nos anos seguintes, os investimentos no desenvolvimento de novos materiais e equipamentos, e nas técnicas de pesquisas e análises geológicas, permitiram a continuação dos estudos e domínio do conhecimento científico. Em meados da década de 1990, confirmou-se o que os geólogos calculavam: o fundo do mar brasileiro apresentava as condições necessárias para a existência de grandes reservas de petróleo.

Neste mesmo período, o Brasil promoveu mudanças significativas na estratégia de exploração do petróleo. Quebrou o monopólio e aprovou nova legislação no Congresso Nacional (Lei 9478/1997) determinando que a União promovesse leilões de áreas que seriam exploradas por meio de concessões.

A partir deste momento, por determinação legal, o petróleo brasileiro seria explorado por concessionárias que se tornavam proprietárias com pleno domínio sobre todo o petróleo produzido.

Naquele período, no qual predominou o pensamento de que os estados nacionais deveriam se afastar das atividades econômicas, o grupocontrolador levou a Petrobras a adotar políticas de redução de sua presença na economia brasileira. Juntamente com a decisão de terceirizar áreas estratégicas da empresa, a diretoria, seguindo orientações coerentes com a política de então, decidiu não participar decisivamente dos leilões que a ANP, Agência Nacional de Petróleo, promoveu.

Nas quatro rodadas de leilão realizadas até julho de 2002, a Petrobras não disputou as áreas mais promissoras ou, quando se fez presente, foi sempre de forma minoritária em parcerias controladas e operadas por empresas internacionais.

Petrobras - investimentos

A partir de 2003, por orientação do novo Governo, a Petrobras inverteu a estratégia de participação nos leilões que seguiram. Passou a atuar de forma mais agressiva, apresentando lances vencedores e associando-se em parcerias nas quais detinha o controle operacional.

Fruto desta nova estratégia, atualmente a Petrobras é detentora de mais de 60% das áreas já leiloadas do pré-sal, nas quais o Brasil vem descobrindo grandes reservas de petróleo.

Outra grande inversão de estratégia foi relativa à política de investimentos em pesquisas e desenvolvimento.

Na média, a partir da década de 1990, houve três períodos distintos na estratégia de investimentos da Petrobras. Até 1994, a média anual foi de US$ 880 milhões. Entre 1995 e 2002, esta média caiu para US$ 536 milhões. A partir de 2003, os investimentos elevaram-se para, em média, US$ 1.080 milhões por ano. Até 2012, esta média anual deve alcançar US$ 1.540 milhões (fonte: Petrobrás).

Como resultado destas opções de investimentos tivemos: até 1995 o Brasil avançou decisivamente na descoberta de novas reservas de petróleo. Entre 1995 e 2002, houve significativa redução no desenvolvimento de novas áreas com o conseqüente aprofundamento na dependência do Brasil em petróleo e capital externos.

A partir de 2003, com a inversão na estratégia de exploração de petróleo, participação mais agressiva nos leilões da ANP e elevação do volume de investimentos nas atividades de pesquisa e desenvolvimento, o Brasil alcançou a auto-suficiência em petróleo e confirmou o que já se sabia desde a primeira metade da década de 1990: existem grandes reservas de petróleo na camada pré-sal do mar brasileiro.

Assim, caso continuasse adotando a mesma estratégia de terceirização, afastamento das atividades fim e de não investir em planejamento, pesquisas e no desenvolvimento de novas áreas e novas tecnologias, hoje o Brasil não teria o controle sobre as gigantescas reservas de petróleo do pré-sal. Toda a riqueza lá guardada seria propriedade de empresas estrangeiras detentoras das concessões de exploração.