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EU VOTO SIM (contra o porte de armas)

Author: Delman Ferreira

Eu voto SIM.
Pelos mesmos motivos que me levam a parar em faixa de pedestre, dar lugar na fila para os mais idosos ou necessitados, ou procurar olhar nos olhos dos garçons ou de quem me atende em outros serviços.
Por uma questão de civilidade.
Por que não quero “mais do mesmo”.
Eu sonho com um mundo desarmado e, mesmo sabendo que a atual proibição do comércio de armas e munição não vai mudar absolutamente nada do cotidiano brasileiro, penso que devemos criar todas as dificuldades possíveis para a proliferação de armas.
O “SIM” não é a solução da violência, nem será a libertação de nossos medos. O “SIM” é uma pré-disposição, uma manifestação de vontade, um impulso, uma tomada de decisão, um movimento decidido e decisivo para mudar e evoluir rumo à Civilização.
Eu voto SIM.
Por que sonho com uma Sociedade onde o Respeito à Vida seja um valor universal, colocado acima de qualquer outro direito, qualquer princípio ou qualquer esperteza marketeira.
Porque sonho com um mundo que seja capaz da garantir dignidade e de atender às necessidades de cada indivíduo. Por que acredito na Democracia, que também deve ser elevada à categoria de valor universal.
Mesmo com todos os tropeços e retrocessos, sou um otimista e acredito que construiremos os caminhos do Socialismo.
Porque sonho com uma Sociedade Evoluída.

EU VOTO SIM.

(Referendo/2005)

“Um outro mundo é possivel”

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A Dialética do Referendum

Author: Delman Ferreira

Uma questão relativa ao referendo me deixa encafifado e incomoda muito mais que toda a discussão colocada até agora: Qual será a idéia subliminar que vai vigorar no pós-referendo?
Eu não tenho dúvida que o efeito prático e imediato do Referendo vai ser nulo. Ou seja, quem possui arma vai continuar armado e quem nunca pensou em ter armas vai continuar amedrontado com quem possui (legal ou ilegalmente).
O atual Estatuto do Desarmamento já proíbe o porte de armas em locais públicos por pessoas que não estejam exercendo atividades autorizadas.
Se vencer o “NÃO”?
Será que estaremos apenas autorizando o comércio legal de armas? Ou a sociedade estará passando a mensagem subliminar de tolerância às armas? Estaremos derrubando o Estatuto? Estaremos legitimando o porte de armas? Será um estímulo ao “cada um por si”?
Será que a vitória do “NÃO” vai consolidar a idéia de que passa a ser legal e legítimo atirar em alguém só porque “direitos” ou “propriedades” foram ameaçados?
Será que a tolerância às armas vai nos fazer sentir mais seguros?
Se vencer o “SIM”?
A Sociedade estará deixando clara sua não tolerância às armas. Será o fortalecimento do Estatuto do Desarmamento. Fica a mensagem subliminar de que queremos um mundo desarmado.
Existe uma realidade inegável: há quinhentos anos convivemos e toleramos as armas. Apesar disso, vivemos um mundo onde a insegurança e a desesperança só fazem aumentar.
A tolerância às armas aponta para um mundo de incompreensão e intolerância. Será a vitória do individualismo.
A intolerância às armas aponta para um mundo de diálogo e tolerância. A esperança de que um outro mundo é possível. Será a vitória da diversidade.
Eu voto “SIM”.
Eu prefiro ajudar a construir um Mundo Sem Fronteiras.

(Referendo/2005)

“Um outro mundo é possivel”

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