mai
1
2009
Baco Baco é… logo ali…
Author: Delman FerreiraPerguntam: o Morro do Baco Baco existe mesmo?
Absolutamente. É tão concreto quanto é concreto o mundo que cada um constrói.
Perguntam: então, onde fica o Morro do Baco Baco?
…aos peregrinos, diria como Antonio Machado, “caminante no hay camino, se hace camino al andar”.
Assim como o Arco-íris, que é um fenômeno cientificamente comprovado, mas nunca está onde parece estar, o Morro do Baco Baco é um fenômeno filosoficamente comprovável que fica logo ali.
É lá onde se dão os ritos de passagem. Onde a gente se olha de frente e descobre os próprios limites. Filosoficamente, lá descobrimos que sempre existe uma modalidade na qual cada um de nós pode ser simplesmente o melhor, apesar de que, também se descobre que bom mesmo é estar aqui e ali, cercado de diversidades.
O Baco Baco é logo ali, no fim de cada desafio, naquele momento de cada conquista a cada nova passagem.
É aquele canto onde vestimos uma calça jeans puída, furada na bunda, uma camiseta desbeiçada, uma chinela velha, um chapéu de palha, porque o que importa mesmo é despir-se de preconceitos.
O Baco Baco também esconde seus mistérios. Porque, sem mistérios, sem sonhos, sem desafios e sem ritos de passagem a vida se banaliza e o mundo fica sem rumos.
É lá que vive o Belisário, o atirador de dardos, nosso perguntador de perguntinhas pontiagudas. Ali, encontramos D. Sofia, com sua filosofia e sabedoria de quem conhece a vida e dispensa diplomas. Lá nos encontramos na Mercearia, que é uma universidade de vida. Foi para lá que Tião e Ivonete mudaram o “Bar do Tião”, onde a gente pode comer uma dobradinha sem culpas, beber rabo de galo, ouvir e cantar as eternidades da música brasileira. Há coisa de uns dez mil anos atrás, Raul Seixas andou por ali, ele para quem nada desse mundo é estranho.
Enfim, fica logo ali, no caminho de quem vai para Pasárgada, cortando as Gerais, seguindo a trilha da Joagoa.
O Morro do Baco Baco fica bem aqui dentro… Logo ali.
(mai/2007)
“Um outro mundo é possivel”
Tags: Morro do Baco Baco, utopias