abr
30
2009
Mundo Livre (Para Marina)
Author: Delman FerreiraDiz um poema:
Caminante, son tus huellas el camino
no hay nada más.
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
Y al volver la vista atrás se vê la senda que nunca
Se há de volver a pisar.
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Uma criança, ainda engatinhante, tenta descer da cama pela primeira vez.
Neste momento importante na vida daquele indivíduo que tenta fazer suas primeiras descobertas e conquistas, ocorrem diferentes reações dos adultos próximos, motivadas por formas diversas de ver a questão e de entender o processo e os resultados do Educar:
Primeira Mãe (ou Pai):
Rapidamente dá a mão para a criança, ou pega no colo, e ajuda a chegar ao chão. Se esta tentativa ocorrer dezenas de vezes, dezenas de vezes a Mãe vai ajudar a criança. Sempre preocupada em evitar acidentes, sempre não confiando, sempre deixando a mensagem subliminar de que a criança não é capaz.
Segunda Mãe (ou Pai):
Percebendo que a criança está tentando descer de cabeça, delicadamente inverte a posição do corpo colocando os pés na ponta da cama, fica observando para evitar acidentes – mas, deixa a criança fazer o esforço e descobrir sozinha como descer. Permite que a criança viva o intenso e sublime prazer de uma vitória e uma conquista sobre os próprios limites e as primeiras dificuldades.
Ambas agem com todo o amor e movidas pela mais pura intenção de fazer o melhor para seu filho.
A primeira criança, na verdade, não desceu da cama, foi descida. A segunda criança, depois que a Mãe mostrou como se faz mais uma ou duas vezes, depois de cair uma outra vez, aprende a descer, torna-se independente para essa iniciativa e se sente estimulada para novas descobertas e conquistas.
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São situações corriqueiras, aparentemente simplórias e sem conseqüências.
Entretanto, ao se repetirem as “ajudas” em todas as situações que forem ocorrendo ao longo da vida e do desenvolvimento da criança, podem significar a diferença entre um futuro adulto maduro e responsável pelos próprios atos ou um adulto sempre inseguro, imaturo e que transfere para os outros a responsabilidade por seus atos ou pela tomada de decisões.
Todos os humanos (cada um de nós) nascem com todas as potencialidades humanas, ou seja, nascemos potencialmente com capacidade para fazer toda e qualquer coisa que qualquer outro ser humano já fez ou fará.
Educar é o ato de ajudar cada ser humano a desenvolver e realizar suas boas potencialidades.
Educação é um processo contínuo – mesmo depois de adultos. Enquanto existimos, nos educamos. Fundamentalmente, é um processo de auto-educação. O papel do mundo exterior (mães e pais, família, amigos, professores etc) é ajudar – ou limitar – o Educando a desenvolver suas boas potencialidades. Ou seja, de acordo com nossa relação com o mundo, conforme o mundo nos é apresentado, vamos aprendendo e desenvolvendo nossas potencialidades, tomando nossas próprias iniciativas e aprendendo a conviver, respeitar e superar os limites.
Se uma criança é estimulada desde os primeiros instantes de vida a conhecer, respeitar e aprender a criar as condições para superar os próprios limites e dificuldades pelas próprias iniciativas e pelas próprias forças, estará sendo estimulada a desenvolver ao máximo suas boas potencialidades. Aprender que o medo é um sentimento fundamental do ser humano, mas que não pode ser visto como um fator instransponível. Não perder a curiosidade, a vontade e a iniciativa de buscar novos conhecimentos e novos caminhos.
Pai e Mãe vão suar frio, mas Educar é permitir que a pessoinha conheça e queira superar os próprios limites. Crescer é correr riscos. Educar é estimular o conhecimento dos limites e dos riscos, sem inibir o desenvolvimento das potencialidades. Educar é ser companheiro e possibilitar o intenso e sublime prazer de uma vitória sobre os próprios limites, como a Mãe que, contendo os próprios medos, incentiva o filho a realizar seu primeiro ato de liberdade e de conquista.
Ajudando a criar pessoas livres, independentes, capazes de conhecer e com coragem para desafiar os próprios limites – pessoas seguras, auto-confiantes e responsáveis por seus atos – estaremos contribuindo decisivamente para construir um mundo muito melhor.
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Marina inicia sua grande aventura pelo mundo em Fevereiro de 2007.
Que a Marina seja uma Vitoriosa.
Livre. Libertadora. Transformadora.
(dez/2006)
“Um Outro Mundo é Possível”.
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