jul
20
2009
“Engrandalhado”
Author: Delman FerreiraSaio do Senado. Saio de Brasília.
Saio “engrandalhado”. Sob todos os aspectos, muito maior do que cheguei.
Ao olhar este período que vivi em Brasília, sinto muito orgulho e alegria. Foram dez anos. Três na Câmara e sete no Senado. Saio por opção de vida. Para novos desafios, novas descobertas, novas venturas, novos tropeços, novos aprendizados.
Considero um privilégio ter tido a oportunidade de conhecer muito melhor a diversidade e a complexidade deste maravilhoso país que é o Brasil. Saber como funciona. Como são tomadas as decisões. Conhecer uma boa parte das dificuldades e limitações. Saber dos desafios que se colocam e dos horizontes que se expandem. Principalmente, conhecer o potencial de superação, o potencial natural e o extraordinário potencial humano de nosso País. Um privilégio que, se pudesse, eu estenderia a cada brasileiro. Uma lição elevada de Cidadania.
Guardo a alegria de ter convivido, e a certeza de que vou continuar convivendo, com tantas pessoas tão diversas e especialmente extraordinárias.
Algumas são pessoas simples e anônimas, mas sempre grandes companheiras. Imprescindíveis em minha vida. Que estiveram comigo no dia a dia ou com quem cruzei eventualmente. Que me deram lições que jamais encontraria em qualquer escola.
Amigos do “Explora Brasília”, um grupo que procurava descobrir e curtir todos os cantos e recantos de Brasília e seus arredores. Bares, restaurantes, chácaras, fazendas, trilhas, cachoeiras, exposições, cinemas, locais para dançar, etc., etc., etc. Quando cheguei, não imaginava que o Explora me reservava paixões e transformações tão profundas e definitivas.
Amigos do VAMMo – o Movimento Vida Além Misteres – cuja proposta é levar a sério o conceito de que a vida não é só misteres – afazeres, obrigações e stress. Existe vida além dos misteres – o lazer é fundamental para o equilíbrio. O prazer do fazer coletivo. Treinar, correr, conversar, caminhar e comemorar a vida, esportivamente.
Amigos que fiz pela internet. Que nunca conheci pessoalmente, que talvez não venha a conhecer. Mas que me proporcionam momentos de provocação e reflexão. Alguns destes contatos iniciaram por meio de um duro embate, por vezes até agressivo e, gradativamente, foram se transformando num debate respeitoso e produtivo.
D. Sofia, Belisário, a Mercearia e todos os amigos do Morro do Baco Baco. Suas saborosas histórias, reflexões e provocações.
Outro privilégio inestimável foi ter compartilhado momentos de trabalho ou de lazer com homens e mulheres de grande sabedoria, conhecedoras das histórias, dos segredos e das complexidades de setores fundamentais à vida nacional. Amigos e amigas dos ministérios, das empresas e de órgãos do Executivo. Amigos e amigas dos sindicatos e dos Movimentos sociais. Amigas e amigos do Congresso Nacional. Pessoas da maior qualidade ética, moral e intelectual, com quem sempre pude contar e sem as quais não teria conseguido levar adiante muitas das tarefas que enfrentei.
No dia a dia, a análise dos temas nacionais, obriga os técnicos a dominarem profundamente cada uma das questões de sua área de conhecimento e de responsabilidade. O convívio diário com estes temas e com as pessoas que dominam este conhecimento constitui um ambiente de saber que raramente encontramos em qualquer outro local. Tenho muito orgulho e considero um privilégio ter sido membro daquelas equipes, na Câmara e no Senado.
Para me sentir seguro, me manter à altura e me considerar digno de estar ali, eu me via compelido a estudar e dominar cada vez mais os temas sob minha responsabilidade (em especial o de infra-estrutura) e de compreender a conjuntura em que nos encontramos. Sou muito grato pela oportunidade e pela ventura deste exercício diário e permanente. Um exercício que nos estimula a aprender e renovar conceitos. Um exercício que ampliou minha visão de mundo e minha compreensão sobre o Brasil. Oportunidade de descobrimento e conhecimento inestimáveis, sem paralelos em qualquer curso, em qualquer escola, em qualquer canto.
Evidentemente este período não foi só de alegrias. Cometi erros. Passei da conta. Vivi, e chorei junto com tantos companheiros de utopias, momentos difíceis, de grandes incertezas e grandes decepções. Momentos em que tivemos um choque de realidade e sentimos o sonho quase ruir.
Mas, levo a certeza, o orgulho e a alegria de ter procurado superar e aprender com os desacertos e com as dificuldades. De construir e reconstruir meus conceitos e valores. De procurar me construir e me reconstruir, permanentemente… De ter procurado, em todos os momentos, compreender e dar minha contribuição para o sonho de um Brasil inclusivo, no qual Solidariedade e Democracia sejam valores universais.
Por fim, quero registrar o prazer de ter descoberto Brasília e seus arredores. Brasília é verdadeiramente a capital de nosso País. Em todos os sentidos. Na política, na geografia, na diversidade, na amplitude……… Brasília descortina o Brasil. Brasília merece uma reflexão especial.
Saio “engrandalhado*”. E sou muito grato a todos os amigos e amigas que me ensinaram tanto neste período.
* Engrandalhado é um termo criado pelos amigos da Eletrosul. Expressa um momento em que nos sentimos muito bem – depois da uma conquista, depois de alguma realização, depois de um reconhecimento,…
(jul/2009)
(um outro mundo é possível)