Archive for the ‘Saúde’ Category

VAMMo - Movimento "Vida Além Misteres"

VAMMo - Movimento "Vida Além Misteres"

MANIFESTO DO VAMMo

Movimento “Vida Além Misteres”

Inconformados do mundo – Desencaracolem-se.

Quietos e inquietos – Ousem.

A vida vai muito além dos compromissos, obrigações, horários, pontos, planilhas, resultados, deveres, eleições, computadores, responsabilidades, misteres…

Saiam do caracol.

VAMMo – muito além do fetiche das competições.

Dançar. Caminhar. Correr. Remar. Velejar.  Pedalar. Saltar. Acampar.

Andar no mato. Subir um Morro. Dar uma volta, a pé, pelo bairro.

Observar a diversidade. Ver a Vida com os próprios olhos.

Celebrar. Ser espontâneo. Ser desastrado. Pagar mico. Brincar. Brindar.

Rir.

Ter frio na barriga. Sentir as próprias sensações. Observar as próprias observações. Chegar às próprias conclusões.

Trocar o mundo virtual pelo Mundo Real. Viver as próprias emoções.

Sair só. Formar grupos.

Vamos à toa. Vamos à toda.

VAMMo por aí. VAMMo em todos os lugares.

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Concordamos que não será possível mudar o mundo na velocidade e amplitude que gostaríamos. Sendo assim, vamos radicalizar: cada um muda o seu cada qual.

O VAMMo é um movimento anárquico-profilático.

VAMMo não tem chefes, não tem responsáveis, não existirão cobranças ou cobradores.

VAMMo é uma profilaxia contra o “Mal do Caracol”. Uma vacina simples contra a asfixia de um mundo que parece sem saídas. Um escudo contra a tentação de ficar sentado em frente aos computadores/televisores/video-games e todos os mundos virtuais. VAMMo é um portal do Mundo Real.

É o movimento dos inconformados com as fatalidades – a fatalidade das gordurinhas localizadas ou generalizadas, a fatalidade das doenças oportunistas, a fatalidade das frustrações diárias e das esperanças perdidas, a fatalidade dos dogmas e verdades absolutas, a fatalidade do grito calado na garganta, a fatalidade de ver amigos partindo e o círculo reduzindo. Inconformados com a vida de gado.

VAMMo contra o tempo. Contra as marcas da passagem do tempo. Contra as fatalidades de nossos tempos.

Mais atividade significa mais oxigênio, mais renovação de energia, mais eficiência metabólica, mais disposição, mais qualidade de vida.

VAMMo – Viver Bem.

(jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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um eterno aprendiz (o avô fresco)

Author: Delman Ferreira
“Qual é a sensação?”,
“O que é que mudou?”,
“E aí Véio ?”,
“E agora?”.

Ficam me perguntando. E eu não sei o que dizer.

Com um sorriso tímido, só sei dizer: Não sei!

Fico pensando sozinho: e agora? Qual é a sensação? O que é que mudou?

 Só sei que o papel de avô é deseducar.

Aos pais cabe ser chatos. Impor regras. Definir Limites. Dar castigos. Proibir tudo o que é gostoso. Fazer ameaças. Obrigar a comer verduras. Fazer se comportar. Fazer estudar. Não deixar brincar com os amigos. Ao pais cabe fazer a vida quadradinha.

Aos avós cabe o sabor da vida. Levar pra tomar banho de chuva. Fazer boneco de lama. Roubar frutas do vizinho. Se lambuzar de bala e sorvete. Ensinar palavrão. Pular a janela para brincar com os amigos. Matar aula pra jogar… Aos avós cabe a deliciosa alegria de viver. Ensinar a transgredir. Romper os limites. Não se dobrar. Não se submeter. Não se render. Nossa parte é o colorido e a rebeldia (o sal e a pimenta da vida).

Os pais dão os limites e os Avós alçam o imponderável.
Fazendo assim, Lucas, esta figurinha prematura de 2,5kg e 47cm, vai ser uma pessoinha equilibrada.

Só sei que quando alguém me encontrar rolando pelo chão, vai pensar que é apenas mais um avô brincando com o neto. Mal saberá que quem estará verdadeiramente se divertindo serei eu. O que sei é que esse guri vai me ensinar muita coisa, e eu vou cantar como Gonzaguinha:


 
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz…

 
 
(escrito por Delman, em maio/1995, recém entrado nos enta, pleno vigor dos 40 anos, quando prematuramente nasceu o prematuro Lucas, o primeiro neto. – transcrito por:  Lucas, o neto – em jan/2010 - aos 14 anos).
 
(maio/1995)

“um outro mundo é possível”

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Hipócrates tinha razão (II)

Author: Delman Ferreira

Uma amiga chamou minha atenção que, no último texto deixei a impressão, generalizante, de que os médicos ou seriam uns exagerados ou iriam contra os pacientes.

Quero registrar que não foi esta a minha intenção. Pelo contrário, considero perfeitamente compreensível que os médicos fiquem muito preocupados quando alguém diz que vai se cuidar por meio de mudanças nos hábitos alimentares. Afinal, é da responsabilidade deles garantir a saúde dos pacientes. E o mais comum é que as pessoas se proponham a cuidar da alimentação, mas desistam rapidamente diante das primeiras dificuldades. E, quando isso acontece, os males se agravam e os médicos são responsabilizados. É natural que ouçam propósitos de mudança de hábitos com desconfianças e reservas.

A generalização de críticas, infalivelmente, nos leva a cometer o erro de injustiçar àqueles que procuram orientar seu trabalho por princípios e valores que respeitam e dignificam a humanidade.

Por outro lado, tenho implicância contra certos profissionais, ou indústria, mais preocupados com os negócios do que com a saúde. Considero um crime (inclusive por parte de quem permite) fazer propaganda e marketing de remédios ou cirurgias ‘milagrosas’ nos meios de comunicação de massa. Jogam irresponsavelmente com a desinformação, a insegurança e a ansiedade de pessoas debilitadas e/ou carentes.

Fala-se muito em ética na propaganda, autoregulação etc. Mas, o grande desafio é fazer o trabalho de conscientização. Como já disse, na minha opinião, a educação alimentar deveria iniciar na infância e ser parte do curriculo básico obrigatório, em todas as escolas, públicas e privadas, em todo o território nacional, desde o Ensino Fundamental até a Graduação. A saúde pública brasileira, certamente, seria muito menos congestionada e caótica.

Portanto, se deixei a impressão de estar desmerecendo médicos, pesquisadores, ou outros profissionais da saúde, que se pautam pela ética e fazem medicina com seriedade, quero me desculpar e deixar muito claro que tenho o maior respeito por quem respeita as pessoas e faz da profissão (em qualquer área) uma militância e um caminho para melhorar a qualidade de vida e os padrões de nossa civilização.

(um outro mundo é possível)

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(Para Laura, Meg e Maria)

(“…que tua comida seja teu remédio…”, Hipócrates (~460-370 aC), o Pai da Medicina.)

Emagreci 5 quilos em 30 dias. Sem cirurgia, sem remédios, sem milagres, sem trabalhos forçados. E deixei pelo caminho um barrigão que não me pertencia e mais alguns outros futuros probleminhas.

Tudo graças à sabedoria e orientações da Meg, nossa querida amiga nutricionista. Ao esmero da Maria, que se preocupou em descobrir e fazer novas receitinhas deliciosas e saudáveis. Ao fundamental apoio e à carinhosa cobrança e monitoramento da Laura.

Em meados de abril, como preparação para a cirurgia no Tendão de Aquiles, tive que fazer uma série de exames pré-operatórios. Os resultados foram demolidores para minha autoestima. Meus indicadores de saúde estavam em níveis alarmantes. Açucar, triglicerídeos, colesterol, creatina (eu nem sabia que tinha isso!!!), ácido úrico, pressão arterial – tudo estava muito acima do ideal, já apontando para sérios problemas futuros.

Pelo cardiologista, eu passaria a tomar uma infinidade de baguinhas coloridinhas (pra mim, que detesto remédios, seria o fim – decadência – depressão total). Baguinha contra açucar. Baguinha contra colesterol. Baguinha contra ácido. Baguinha contra isso e aquilo. Contra, sempre contra.

Parecia tudo contra mim – me rebelei. Decidi ser contra os do contra. Ao invés de tomar infinitas medidinhas do contra, resolvi tomar uma decisão a favor: ouvir Hipócrates – fazer da minha comida o meu remédio. Contei com a desconfiada concordância do cardiologista. Creio que ele não acreditava que eu seria capaz de fazer uma mudança profunda em meus hábitos alimentares.

D. Sofia diz que Hipócrates deve ser um meio contra-parente distante do Belisário.

No final de abril, consultei a Meg, que analisou os exames e me passou muitas orientações. Sábias orientações.

A primeira impressão que se tem, na conversa com um(a) nutricionista, é que vamos ter que escolher entre tres alternativas: morrer de colesterol, ficar eternamente dependentes de baguinhas coloridinhas, ou morrer de desgosto. Trágico.

Deve ser uma tática nutricionista: primeiro fazem terrorismo, pra depois nos mostrar que existe vida pós vida. Ou melhor, que também é possível existir muito prazer no comer direito. Re-educação alimentar – essa é a grande sacada de Hipócrates.

Não se trata de seguir dietas da moda ou regimes da lua, do sol, do arco-iris, disso e daquilo. Trata-se de saber o que estamos comendo. Comer consciente. Comer com a cabeça, ao invés de comer com os olhos teleguiados pelo marketing da indústria de comida que depois vai nos fazer escravos do marketing da indústria de remédios (aquelas malditas baguinhas coloridinhas do contra).

Não tem fórmula mágica e não tem genérico. Cada um é cada um. Cada um deve conversar com um(a) nutricionista e descobrir o seu cada qual. Mas, penso que dois ou tres mandamentos servem para todos:

- Regra Básica: JAMAIS FICAR COM FOME. Deve-se comer sempre na hora certa (mais ou menos de tres em tres horas) – por outro lado, deve-se terminantemente evitar comidinhas entre um momento e outro.

- Regra dois: saber os efeitos do que se come (grãos, frutas, verduras, legumes, fibras, leite, sucos etc) e aprender a ler os rótulos e a composição dos alimentos. Saber o que está comendo, porque está comendo, quando está comendo, como está comendo.

- Regra tres: comer devagar. Que o momento da comida seja sempre um momento de prazer – de preferência na companhia de outras pessoas.

No início é chato, muito chato – depois vai se tornando cada vez mais prazeroso. Penso que estas lições deveriam fazer parte do currículo obrigatório das escolas desde o Ensino Fundamental até a Universidade. Com certeza evitaríamos a obesidade e tantas doenças que matam tantas pessoas, sobrecarregam os hospitais e custam tanto à saúde pública. Mudar, desde crianças, valores e hábitos alimentares que só se prestam para  enriquecer a indústria da comida de má qualidade e das baguinhas do contra.

Ontem tive a confirmação de que Hipócrates tinha razão: depois de novos exames, o cardiologista elogiou muito meus novos indicadores, que ainda não chegaram no nível ideal, mas estão muito melhores e mais animadores do que há coisa de um mês. Sem baguinhas coloridinhas do contra, sem milagres, sem mágica. Por enquanto, estou tomando a baguinha da pressão, uma baguinha branca – parece que ainda não se sabe como controlar a pressão apenas mudando a alimentação – espero que descubram logo.

Salve a rebeldia contra os do contra e, principalmente, Salve minha(s) nutricionista(s), as grandes responsáveis por todo o sucesso – Laura, Maria e Meg.

(jun/2009)

(um outro mundo é possível)

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Tendão de Aquiles

Author: Delman Ferreira

Tendão 2 Tendão 3 Tendão 1


Depois de muito relutar,  “meti a tesoura no Tendão de Aquiles”.

Desde 2007, vinha sentindo dores fortes no tendão do pé direito, chamado Tendão de Aquiles.

Naquela época eu estava me preparando para correr a Meia Maratona do Rio de Janeiro. Num dos treinos, fiz 14Km num trecho com subidas acentuadas e senti umas fisgadas no tendão do pé direito. A partir daquele dia, passei a sentir dores frequentes.


Edson, nosso preparador, insistiu que eu deveria primeiro tratar as dores, e, talvez, deixar a Meia para o outro ano. Mas, eu não quis parar. Não queria deixar de fazer a Meia Maratona naquele ano. Minha ansiedade não me deixa adiar as coisas para depois.


Durante a corrida, em setembro/2007, senti um pouco o tendão, mas segui em frente.


Depois da Meia, fiquei um tempo sem correr, apenas fazendo caminhadas de recuperação. As dores não voltaram, então comecei a me preparar para a Corrida da Pampulha, em BH.


A Pampulha foi no início de dezembro/2007. São 18 KM. Quando passei pelo KM 9, senti uma pontada forte no tendão. Mas, resolvi seguir em frente. Gradativamente a dor foi se acentuando e corri os últimos quilômetros, até a chegada, mancando da perna direita. Depois disso, o tendão nunca mais prestou. Não conseguia mais fazer nem treinos leves.


Em março do ano passado (2008), consultei um ortopedista que queria operar logo. Dizia que era o melhor a fazer. Segundo ele, quando um tendão está com lesão séria, o melhor é fazer uma cirurgia para limpeza de toda a área, ligamento e reforço dos tendões. Depois, com a regeneração, tudo fica como novo.


Todavia, preferi ouvir outras opiniões. Tentei de tudo. Fiz pilates, alongamentos, acupuntura, massagens orientais – tratamentos que podem ter ajudado, mas não resolveram. (Quase recorri às benzeduras, “trabalhos”, pastores universais, oráculos transcendentais, água benta, reza braba,  pomadinhas milagrosas, garrafadas, nitroglicerina, beijinhos doces, …).


Só perdi tempo. Fiquei sedentário e virei criador – passei a fazer “criação de barriga”.
Finalmente decidi. Voltei ao mesmo ortopedista e “meti a tesoura no tendão”.

No meu caso, o pior foi o stress pré-operatório: exames,… mais exames e…. mais exames. A conversa do anestesista, já na sala de cirurgia, também é sinistra.

Tirante isso, tudo correu muito bem. O médico se disse surpreso. Imaginava que meu tendão estaria muito mais estragado, mas encontrou um quadro bem menos trágico. Certamente foram efeitos positivos dos alongamentos, da acupuntura e do shiatsu. Pelo que me explicou, os tendões se parecem com cabos de telefone: um cabo com diversos fiozinhos por dentro. Assim são os tendões, um conjunto composto por inúmeros nervos.


Quando os tendões ficam doloridos, é porque alguns destes fiozinhos (nervos) vão rompendo e ficam machucados. Como os tendões são pouco irrigados e recebem pouca oxigenação, a regeneração espontânea é muito lenta. A cirurgia é feita para limpar, religar e acelerar a regeneração destes nervos rompidos. Se o número de nervos rompidos é muito grande, cirurgia e posterior recuperação são muito mais difíceis. No meu tendão, havia poucos nervos rompidos, então a recuperação será mais fácil. Vou ficar umas tres ou quatro semanas sem poder colocar o pé no chão.


Depois…
Lá estarei novamente, no Rio de Janeiro, em BH e tantas outras provas por este Brasil, pelo mundo… e pelos arredores.

(abr/2009)

“Um outro mundo é possivel”

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Ouvindo à esquerda e à direita.

Author: Delman Ferreira

Passei uns dois meses, desde janeiro, só ouvindo à esquerda. À direita, só zumbidos. Meu ouvido direito doía e fazia pressão, assim como se estivesse sempre cheio de água.
Como sei que para ter equilíbrio é sempre bom ouvir à esquerda e à direita, fui num otorrino. Era um desses médicos descomplicados e muito bem humorados. Espiou meu ouvido com um binoclinho e disse:
- “… o senhor tem um bocado de cera aí.”. E perguntou se eu havia tentado limpar com alguma coisa.
- “Nada, nada”, eu disse, “só cocei com cotonete, um grampo, uma tampinha de caneta ou a pontinha dos óculos”.
Ele simplesmente me olhou. Estupefato. Indignado. Revoltado. Como se estivesse diante de um estuprador.
- “O senhor, por acaso, estava tentando esculhambar com seu ouvido?”, perguntou.
- “???” … fiquei apenas olhando…
- “Meu amigo, não se deve jamais tentar limpar os ouvidos com coisa alguma.”
- Como assim???
- “A única coisa que se pode tentar usar para limpar um ouvido é o cotovelo do outro lado”. E ficou me olhando com aquela cara de sacana.
Explicou que o ouvido é formado por dutos curvos e quando tentamos enfiar alguma coisa por ali, só criamos mais problemas. A única coisa que se deve fazer é uma lavagem de tempos em tempos, jamais enfiar o que quer que seja.
Depois, preparou uma seringa e deu umas três ou quatro “xiringadas” de água com alguma coisa, no ouvido. Parecia que eu estava debaixo de uma cachoeira. Foi um “banho” milagroso, agora posso ouvir à esquerda e à direita.
Como se diz por aí, “é muito melhor ouvir certas besteiras do que não poder ouvir”.
Assim como é melhor ler certas bobagens do que não saber ler.
Portanto, doravante, para limpar seus ouvidinhos, usem apenas os próprios cotovelos do outro lado. Ou, consultem um otorrino de tempos em tempos pra levar umas  “xiringadas”.
(hehehe).

(verão/2009)

“Um outro mundo é possivel”

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