Archive for the ‘Sociedade’ Category

Grande e para todos

Author: Delman Ferreira

Lalá,

não concordo quando afirmas que: a candidata escolhida por Lula não diz a que veio e só se permite comparar indicadores do governo Lula contra os do governo FHC’. Não concordo, e não poderia perder a oportunidade para mais um bom debate.

Penso que uma eleição presidencial é uma grande oportunidade, renovada a cada 4 anos, que o país inteiro tem para refletir e se perguntar o que quer ser, onde pretende chegar ao fim dos próximos 4 anos.

Esta é a pergunta que os atuais candidatos tem que responder: O que seremos em 2014? O que apontamos para 2020? E 2050? Um governo tem a obrigação de apontar caminhos e dizer claramente para onde seu projeto levará o País. Um governo tem que despertar sonhos e renovar esperanças.

Não basta apenas apresentar propostas pontuais para Saúde, Educação, Segurança, Cultura, Esportes, Infraestrutura, Meio Ambiente, etc. É preciso apontar um norte para onde o país se encaminhe. Um objetivo a ser alcançado. Um nexo que aglutine todos os planos setoriais. De tal forma que Saúde, Educação, Segurança, e todos os outros planos, tenham coerência entre sí e, pela sinergia, se somem para alcançar o objetivo traçado. Principalmente, é preciso ter um objetivo que conquiste e mobilize a Nação.

Dilma nos oferece um projeto com este perfil. Claro, objetivo e contundente: erradicar a miséria até 2014 e consolidar o Brasil como um dos protagonistas e líderes mundiais. Um país grande e para todos. Um ambicioso projeto, eivado de ousadia.

Não devemos, jamais, esquecer que, até 2003, o Brasil era um país monitorado por organismos internacionais, como FMI, Banco Mundial, etc. Nos tratavam como incapazes. Éramos governados por um pensamento colonizado e subalterno. Um país teleguiado, que tinha abdicado da Soberania e de determinar os próprios destinos. Auto-determinação e Soberania eram palavras malditas, coisa de esquerdistas radicais jurássicos.

A miséria e a exclusão social eram intrínsecas ao nosso método de organização e de desenvolvimento. Eram parte constituinte dos planos de crescimento. De acordo com a ideologia vigente, não seria possível integrar 100% dos brasileiros no mercado de consumo porque nosso parque industrial não comportaria. Sem produção e sem oferta, a pressão de demanda provocaria maior inflação. Fruto dessa lógica perversa, para não elevar a inflação, a grande maioria da população (mais de 70%) era condenada e excluída dos benefícios de qualquer crescimento, eram não-cidadãos não-desejados. Como resultado, tínhamos um país refém de planos externos e voltado para menos de 30% da população.

Erradicar a miséria e garantir os caminhos para ascensão social, implica que o país vai ter que se estruturar de forma sustentável para receber todos estes milhões de novos cidadãos, com suas naturais demandas e exigências sociais.

Setores como Educação, Saúde, Segurança, Meio Ambiente, Infraestrutura, Cultura, Esportes, etc., deverão ganhar musculatura para atender uma nova realidade na qual os brasileiros, na medida em que elevam seu padrão de vida, também elevam seu padrão de exigência. Essa dialética social será um mecanismo determinante para garantir a sustentabilidade do projeto de um país grande e para todos.

Um país capaz de erradicar a miséria e se colocar como protagonista mundial, disputando espaços geopolíticos com os gigantes que sempre impuseram sua vontade ao mundo, será um país muito melhor do que este que temos hoje.

Dilma nos convida a sonhar com um Brasil Grande e para Todos. Sonhar um sonho que se sustenta na realidade e na dialética do próprio processo de construção de um novo Brasil.

(ago/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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‘Os cães ladram, a caravana passa’

Author: Delman Ferreira

- Minha vida melhorou.

- Não, tua vida não melhorou.

- Mas, eu sei, eu sinto que minha vida está muito melhor.

- Eu tenho as estatísticas. Os dados provam que tua vida não está melhor.

- Mas, quem sabe de minha vida sou eu. E, eu sei que minha vida está muito melhor.

- Não, tu estás sendo iludido pela propaganda enganosa do governo. Tua vida está pior.

E segue o diálogo nonsense.

‘Cada um sabe onde lhe apertam os calos’. Dizia um ditado português, do tempo em que os sapatos apertavam.

Judith Brito é Presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais) e diretora-superintendente da Empresa Folha da Manhã S.A. – que edita a Folha de São Paulo. No dia  18 de março último, em reunião na sede da Fecomércio, com o testemunho de jornalistas e dirigentes das entidades de imprensa, Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV) e Aner (Associação Nacional dos Editores de Revistas), declarou que  “os meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”.

Pelo que vemos, lemos e ouvimos diariamente, estes meios de comunicação não entenderam o dito popular. Em tempos de internet, (e sapatenis), do alto de sua estúpida soberba, eles querem determinar onde os calos apertam nos brasileiros.

Como um mantra enfadonho, repetem ad nauseam: ‘Voces não sabem nada. Estamos aqui para lhes mostrar o que voces devem sentir. A vida de vocês não está melhor. O Brasil está cada vez pior’.

‘Os cães ladram, a caravana passa’, diz um ditado árabe.

(ago/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Becos e sonhos

Author: Delman Ferreira

Trude caminha como quem levita. Saltita pela praça. Orgulho incontido. Olha para os que passam. Olha para todos. Olha para cada um. Diretamente nos olhos. Sente-se imponente. Sente-se leve como quem dança apaixonada. A música é só dela, os pés mal tocam o chão. No céu, fogos de artifício brilham bilhões de estrelas, só para ela.

Finalmente, ela tem um documento. Finalmente, poderá mostrar pra quem quiser ver: ela é Gertrude Maria Landlos. Vive o dia mais importante da vida, ela mesma assinou o documento com a própria letra, sem precisar da ajuda de ninguém.

Aos 38 anos de idade, depois de uma vida inteira de trabalho duro, Trude tinha descoberto que não existia. Não tinha nenhum documento - nem registro de nascimento. Até o nome, de que ela tanto se orgulhava, nunca existiu.

O pai não tinha registrado porque o cartório era longe e o registro era caro. “Mulher não precisa dessas frescuras de documento. Quando casar, o marido resolve.”, era assim que ele se explicava. Por isso, Trude não tinha registro e nunca foi à escola.

Não tinha registros. Mas, tinha história. Uma história sem direito a sonhos. Quatro filhos pequenos, de um pai que tinha sumido sem deixar rastros. Sem documentos, sem saber ler, sem profissão – Trude sustentava os filhos com pequenas faxinas e trabalhinhos aqui ou ali. Moravam num casebre. Um beco sem saída.

Um dia, que ela nunca mais vai esquecer, umas moças da prefeitura apareceram no beco. Queriam saber quantas crianças moravam ali e quantas estavam na escola.

O sonho dela sempre foi colocar as crianças na escola. Salvar daquele destino de não saber ler, não ter documentos, não poder entrar em lugar nenhum, não poder comprar numa loja. Salvar daquele destino de viver sem existir. Mas, como? Se o dinheiro das faxinas mal dava para não morrerem de fome? Como mandar as crianças para a escola? Cadernos, canetas, roupas, sapatos, ônibus? Como?

As moças, então, disseram que ela teria direito a uma Bolsa se as crianças estivessem na escola. Para se cadastrar era simples, bastava ter uma conta na Caixa. Simples? Conta em banco? Sem documentos? Sem saber ler? Num beco sem saída? Como é que alguém que não existe pode ter conta em banco?

Aos 38 anos de idade, Trude descobriu que era ninguém. Sem registros, sem documentos, sem endereço, ela não existia. Se não existia, nunca ia conseguir nada. Para ter direito à Bolsa e colocar as crianças na escola, precisava abrir conta na Caixa.  Pra ter conta na Caixa, precisava documentos e endereço. Pra poder assinar os documentos, tinha que saber ler.

Abriu-se uma janela. Trude pulou para dentro. Despertou para um sonho.

Foi atrás de se alfabetizar num programa do governo. Em pouco tempo, já conseguia ler e entender o que estava lendo e escrevendo. Em pouco tempo, já conseguia assinar o próprio nome.

Durante a alfabetização, ficou sabendo que podia fazer um curso de doceira. Ela sempre gostou de fazer doces, tinha aprendido com a avó quando era pequena.

Depois de aprender a ler, faltava ter endereço, senão, ela continuaria não existindo. Juntou os vizinhos e conseguiu que o Beco fosse registrado na Prefeitura. Batizaram com o nome de Travessa do Futuro.

Agora, Trude está na praça da Prefeitura. Com a Carteira de Identidade que acabou de receber. Sentindo-se a pessoa mais importante de todo o mundo e arredores. Finalmente, Gertrude Maria Landlos existe.

Agora, as crianças poderão ir à escola. E com o tempo que sobrar, Trude vai poder fazer o curso de doceira que sempre sonhou. No curso, disseram que ela pode fazer parte da cooperativa e vender seus doces nas feiras e nas festas. Estão até se organizando para vender os doces em outras cidades e outros estados.

Gertrude Maria Landlos, do beco para o sonho, uma brasileira que ousa fazer planos de vida nova na Travessa do Futuro.

(ago/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Proibida para maiores

Author: Delman Ferreira

Há muito sabemos que a revista VEJA é a pior publicação do País.

Há muito se sabe que não passa de um panfleto conservador dedicado à promoção e divulgação do pensamento mais ultrapassado que ainda se arrasta pelo mundo e tenta sobrevida em pleno século XXI.

Foi criada em 1968 – um ano emblemático. 1968 foi o ano em que idéias libertárias sairam dos guetos e se disseminaram pelo mundo. Veja não viu (ou não entendeu) nada disso. O que Veja preserva de 1968 é o ideário do AI-5, o golpe dentro do golpe.

A soberba vai se encarregar de colocar este panfleto no seu devido lugar: o lixo da história.

O TSE já deu o primeiro empurrão, vejam estas decisões:

1. http://agencia.tse.gov.br/sadAdmAgencia/noticiaSearch.do?acao=get&id=1319489

2. http://agencia.tse.gov.br/sadAdmAgencia/noticiaSearch.do?acao=get&id=1320491

A VEJA deveria ser proibida para maiores.Veja, só para menores – menores de espírito.

(ago/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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VAMMo - Movimento "Vida Além Misteres"

VAMMo - Movimento "Vida Além Misteres"

MANIFESTO DO VAMMo

Movimento “Vida Além Misteres”

Inconformados do mundo – Desencaracolem-se.

Quietos e inquietos – Ousem.

A vida vai muito além dos compromissos, obrigações, horários, pontos, planilhas, resultados, deveres, eleições, computadores, responsabilidades, misteres…

Saiam do caracol.

VAMMo – muito além do fetiche das competições.

Dançar. Caminhar. Correr. Remar. Velejar.  Pedalar. Saltar. Acampar.

Andar no mato. Subir um Morro. Dar uma volta, a pé, pelo bairro.

Observar a diversidade. Ver a Vida com os próprios olhos.

Celebrar. Ser espontâneo. Ser desastrado. Pagar mico. Brincar. Brindar.

Rir.

Ter frio na barriga. Sentir as próprias sensações. Observar as próprias observações. Chegar às próprias conclusões.

Trocar o mundo virtual pelo Mundo Real. Viver as próprias emoções.

Sair só. Formar grupos.

Vamos à toa. Vamos à toda.

VAMMo por aí. VAMMo em todos os lugares.

_______________________________________

Concordamos que não será possível mudar o mundo na velocidade e amplitude que gostaríamos. Sendo assim, vamos radicalizar: cada um muda o seu cada qual.

O VAMMo é um movimento anárquico-profilático.

VAMMo não tem chefes, não tem responsáveis, não existirão cobranças ou cobradores.

VAMMo é uma profilaxia contra o “Mal do Caracol”. Uma vacina simples contra a asfixia de um mundo que parece sem saídas. Um escudo contra a tentação de ficar sentado em frente aos computadores/televisores/video-games e todos os mundos virtuais. VAMMo é um portal do Mundo Real.

É o movimento dos inconformados com as fatalidades – a fatalidade das gordurinhas localizadas ou generalizadas, a fatalidade das doenças oportunistas, a fatalidade das frustrações diárias e das esperanças perdidas, a fatalidade dos dogmas e verdades absolutas, a fatalidade do grito calado na garganta, a fatalidade de ver amigos partindo e o círculo reduzindo. Inconformados com a vida de gado.

VAMMo contra o tempo. Contra as marcas da passagem do tempo. Contra as fatalidades de nossos tempos.

Mais atividade significa mais oxigênio, mais renovação de energia, mais eficiência metabólica, mais disposição, mais qualidade de vida.

VAMMo – Viver Bem.

(jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Números. Oh, números.

Author: Delman Ferreira

Quero propor um jogo aos demotucanos:

Numa cesta, colocamos todos os indicadores que os tecnocratas geralmente utilizam para medir desempenhos. Depois, sorteamos um deles. Então comparamos os resultados dos governos Lula e FHC no indicador sorteado.

Os demotucanos ficam histéricos quando se fala em comparar resultados dos governos Lula e FHC. Entretanto, insistem na afirmação de que o governo Lula nada mais fez do que copiar ou dar continuidade aos programas de FHC.

O quadro a seguir, que recebi de um militante, permite uma boa avaliação do desempenho de cada governo. Fica bem evidente a causa do desespero demotucano. Qualquer que seja o indicador escolhido, o desempenho do governo Lula é inquestionavelmente superior ao do governo FHC. (Considerando a afirmação dos demotucanos de que os programas de Lula não passam de cópia ou continuação dos programas de FHC, conclui-se que a equipe de Lula é inquestionavelmente mais competente do que a equipe de FHC, visto que todos os resultados de Lula são superiores aos resultados de FHC).

Por coerência, adotando o critério de competência que tanto apregoam, os demotucanos vão acabar votando em Dilma.

DILMA13 – para o Brasil seguir mudando.

INDICADOR

FHC

LULA

VARIAÇÃO

Aprovação do Governo

35%

76%

Redução da Pobreza (migração das classes D/E para C)

Zero

20 milhões

Bolsas em Universidades Privadas – PROUNI

Zero

385 mil

Novas vagas em Universidades Federais

Zero

229 mil

Novas Universidades Federais

Zero

12

Novas Escolas Técnicas

Zero

214

Novas Extensões Universitárias Federais

Zero

48

Luz para Todos

-

12 milhões

FMI

Devedor

Credor

Brasil ‘Grau de Investimento’

Nunca

1ª vez

Brasil com alto IDH

Nunca

1ª vez

Agricultura Familiar – PRONAF (R$ bi)

2,40

16,00

567%

Desemprego (média anual)

11,6%

7,55

-35%

Geração de empregos (média mensal)

8.000

125.000

1463%

Salário Mínimo (Reais)

200

565

155%

Salário Mínimo (dólares)

64

290

353%

Gastos com Cesta Básica (% Sal. Min.)

79,5%

49,8%

-37%

Reajuste Salarial acima da inflação – categorias

5%

88%

1660%

Transferência de Renda (bilhões)

1,7

12,3

624%

Redução da Pobreza – Classe E

26,7%

16%

-40%

Melhoria de Renda – Classe C

38,6%

49,2%

27%

Concentração de Renda (Gini)

0,59

0,54

-8%

Renda dos 50% mais pobres

12,97%

15,25%

18%

Mortalidade infantil (1990-2010)

5,2%

1,99%

-62%

Saúde da Família (equipes)

16.698

24.520

47%

Analfabetismo (acima de 15 anos)

11,8%

10%

-15%

PIB (ranking mundial)

12

8

4

Crescimento anual do PIB*

2,3%

4,01%

74%

Juros (básico) *

25%

11,75%

-53%

Inflação – IPCA (12 meses)*

12,53%

5,5%

-56%

Dívida/PIB (%)

55,5%

41%

-26%

Dívida Pública Externa (US$ bi)

211,00

192,00

-9%

Reservas internacionais (US$ bi)

37,8

249,75

561%

Risco País

14%

2%

-86%

Exportações (anual  - US$ bi)

60,40

183,00

203%

Crédito/PIB (%)

23,9%

45%

88%

*projeções

Contato/responsável: berrador@terra.com.br

(jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Evolução, Brasil

Author: Delman Ferreira

EVOLUÇÃO DA MISÉRIA

Evolução da Miséria(mais detalhes em http://www.fgv.br/cps/Pesquisas/miseria_queda_grafico_clicavel/FLASH/)

Eis um quadro eloquente. Do qual devemos sentir muito orgulho.

A miséria é um problema que desafia as sociedades há milhares de anos. Desde que a humanidade tomou conhecimento de sua condição humana diversa dos animais. Desde que passou a pensar em novas questões, além da comida e da sobrevivência do dia a dia.

É evidente que a humanidade nunca conseguiu superar o problema da miséria porque muito poucas vezes enfrentou com determinação e continuidade. Ao longo da história, houve diversas experiências bem sucedidas e fracassos retumbantes. Como atestam os números crescentes de miseráveis pelo mundo, em todo esse tempo, tivemos muito mais fracassos que sucessos.

Neste início de século XXI, o Brasil dá exemplo. O Brasil diz como fazer. O Brasil mostra resultados.

A redução da miséria que o quadro demonstra não é resultado de um único programa, como apontam muitas análises superficiais e simplórias. Este caminhar é fruto de uma ação estatal planejada e competentemente executada.

São diversos programas e políticas sociais que dialogam e se interconectam:

Bolsa Família, que garante a condição básica de sobrevivência – a comida do dia a dia.

Luz para Todos, que abriu portas para mais de 13 milhões de excluídos adentrarem o século XXI. (veja Luz para Todos em http://www.luamansa.com/morrodobacobaco/?p=2138)

Agricultura Familiar – programas de estruturação do setor que é responsável por mais de 70% da produção dos alimentos consumidos pelos brasileiros.

Geração de mais de 14 milhões de novos postos de trabalho com carteira assinada.

Elevação do poder aquisitivo do Salário Mínimo.

Elevação do poder de compra médio dos salários.

Universidade para todos, por meio de programas e políticas que garantem acesso à universidade, como REUNI, PROUNI e outros.

Levar universidades públicas para mais perto dos alunos potenciais, por meio da Interiorização dos campi. Como forma de garantir o acesso àquelas pessoas que não poderiam se deslocar de suas cidades para estudar nas capitais ou grandes centros.

Construção de mais de 300 novas escolas técnicas em todo o território nacional, notadamente no interior.

Programa Minha Casa Minha Vida, para enfrentar o déficit habitacional e garantir que pessoas de baixa renda tenham acesso ao sonho da casa própria.

Acesso à crédito para permitir a compra de produtos que elevam o padrão de vida, como eletrodomésticos

E tantas outras políticas e programas para atacar questões pontuais que, historicamente, sempre impediram a ascensão social de milhões de pessoas. Pela sinergia das políticas e dos programas, obtém-se um conjunto, um resultado, no qual o todo é muito maior que a soma das partes. Principalmente, é o fruto da ação de um Estado Forte que planeja em favor das pessoas.

Entretanto, apesar do sucesso desta política, apesar dos resultados já obtidos, o desafio ainda é gigantesco. Ainda restam mais de 30 milhões de brasileiros em condição de pobreza. Além destes miseráveis, ainda restam outros milhões de pessoas para ascender à classe média. Ainda resta superar o analfabetismo. Ainda resta superar as diferenças regionais. Ainda resta superar a vergonhosa concentração de riquezas que persiste no Brasil.

Continuar em frente. Continuar a crescer. Continuar a incluir mais e mais brasileiros. Continuar a pensar grande. Continuar de cabeça erguida. Agir cada vez mais soberanamente. Sentir cada vez mais orgulho de ser brasileiros. Eis um grande desafio.

Dilma – é a estratégia para superar este desafio.

(jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Coração dividido

Author: Delman Ferreira

“Eu/ sou brasileiro/ com muito orgulho/ com muito amooooooooo…..”.

 Visto verde-amarelo e sou mais um. Quero um Brasil vencedor. Mas,… o tempo passa, os jogos passam, vitórias(?) passam, as ilusões passam, o sonho se esvai e… o que vejo me faz torcer contra o que vejo. Fico injuriado.

 Do “melhor futebol do mundo” espera-se que se comporte como o melhor futebol do mundo. Sonho com um Brasil vencedor que torne a vitória uma Ode ao Futebol. Uma Celebração à Alegria. Uma conquista que será cantada pelos próximos 50 anos. Uma vitória a ser admirada, decantada e estudada pelos adversários.

 O Brasil é o único pentacampeão do mundo. Para quem alcançou este degrau mais elevado, de que adianta ter mais um mero resultado conquistado de forma medíocre? Ser hexa? Pra que? Pra depois trocar o hexa pelo hepta e… depois?… …depois ninguém lembrar uma única jogada, um único drible, um único deleite.

Leiam http://tonaoto.wordpress.com/2010/06/15/de-copa-em-copa. A Copa é um marco nas vidas dos brasileiros. Todos lembram o que faziam ‘naquela’ Copa. Por isso mesmo, a Copa é uma responsabilidade.  Queremos registrar grandiosidades, deleites, momentos que nos tiram o fôlego. Ninguém perde o fôlego com mesmices. Ninguém registra mediocridades.

 Por isso, por amor ao Brasil e ao Futebol,  meu coração não conseguia torcer por aquele time que estava na África do Sul. Aqueles lá apropriaram-se das cores e do passado do Brasil. Mas, não entenderam nada.

Onde foi parar a magia?

O Meu Brasil Campeão não é medíocre e não joga um futebol medíocre. O Meu Brasil Campeão joga para vencer.  Com arte. Tem a fibra de um Didi, depois de sofrer um gol, de cabeça erguida, pegando a bola no fundo das redes, caminhando para o meio do campo. Recomeçar – cabeça erguida e certeza da vitória no coração.

O Meu Brasil Campeão tem a irreverência de um moleque dando chapéu numa final de Copa do Mundo. Tem improváveis pernas tortas. Tem joões. Arrancadas. Paradinha. Bicicletas. Elástico. Caneta. Vaca… Tem folclore. Tem irreverência. É imprevisível. O Meu Brasil Campeão não teme a jabulani, faz dela uma folha seca.

Meu coração fica injuriado cada vez que sujeitinhos medíocres enxovalham nossa História. 

O Meu Brasil Campeão é feito de 190 milhões de brasileiros orgulhosos da aventura de ser brasileiros. Orgulhosos de ver o mundo admirando nossa arte, nossa criatividade e nossa capacidade de ser grandes sem destruir.  

 (jun/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Saramago

Author: Delman Ferreira

José Saramago

Introdução do Discurso perante a Real Academia Sueca:

De como a Personagem Foi Mestre e o Autor Seu Aprendiz

Por JOSÉ SARAMAGO
Segunda-feira, 7 de Dezembro de 1998

O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.

Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa.

Ainda que fossem gente de bom carácter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável. Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que accionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: “José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira”. Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira. Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava… No meio da paz nocturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direcção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: “E depois?”. Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas.

Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranqüilizava: “Não faças caso, em sonhos não há firmeza”. Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos.

Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer”. Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprias filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver.

Muitos anos depois, escrevendo pela primeira vez sobre este meu avô Jerónimo e esta minha avó Josefa (faltou-me dizer que ela tinha sido, no dizer de quantos a conheceram quando rapariga, de uma formosura invulgar), tive consciência de que estava a transformar as pessoas comuns que eles haviam sido em personagens literárias e que essa era, provavelmente, a maneira de não os esquecer, desenhando e tornando a desenhar os seus rostos com o lápis sempre cambiante da recordação, colorindo e iluminando a monotonia de um quotidiano baço e sem horizontes, como quem vai recriando, por cima do instável mapa da memória, a irrealidade sobrenatural do país em que decidiu passar a viver. A mesma atitude de espírito que, depois de haver evocado a fascinante e enigmática figura de um certo bisavô berbere, me levaria a descrever mais ou menos nestes termos um velho retrato (hoje já com quase oitenta anos) onde os meus pais aparecem: “Estão os dois de pé, belos e jovens, de frente para o fotógrafo, mostrando no rosto uma expressão de solene gravidade que é talvez temor diante da câmara, no instante em que a objectiva vai fixar, de um e de outro, a imagem que nunca mais tornarão a ter, porque o dia seguinte será implacavelmente outro dia… Minha mãe apoia o cotovelo direito numa alta coluna e segura na mão esquerda, caída ao longo do corpo, uma flor. Meu pai passa o braço por trás das costas de minha mãe e a sua mão calosa aparece sobre o ombro dela como uma asa. Ambos pisam acanhados um tapete de ramagens. A tela que serve de fundo postiço ao retrato mostra umas difusas e incongruentes arquiteturas neoclássicas”. E terminava: “Um dia tinha de chegar em que contaria estas coisas. Nada disto tem importância, a não ser para mim. Um avô berbere, vindo do Norte de África, um outro avô pastor de porcos, uma avó maravilhosamente bela, uns pais graves e formosos, uma flor num retrato – que outra genealogia pode importar-me? a que melhor árvore me encontraria?”

José Saramago

(jun/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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esse Dunga faz coisa…

Author: Delman Ferreira

Desço do metro e esbarro com uma cena impensável: um sujeito vestido com o uniforme do Flamengo e enrolado numa bandeira do Vasco. Camisa do Flamengo, calção do Flamengo, meião do Flamengo e… enrolado na bandeira do Vasco.

Todo mundo que saia do metro ficava sem acreditar. Ninguém se segurava. Uns ficavam espiando meio de rabo de olho, outros foram logo se chegando. De imediato, formou-se um bolinho em volta do sujeito. Todos queriam saber o que era aquilo.

- Isso é culpa daquele FI-LHO-DA-PU-TA do Dunga, tentava explicar o enrolado.

- ???!!!

- Eu acreditava naquele filhodaputa. Tinha certeza que o Brasil ia atrair os coreanos e enfiar um saco de gols. Eu apostava que o Brasil ia fazer uns cinco. Daí, essa minha boca grande jurou que se o Brasil não metesse três eu saia no metro vestido com essa porra desse uniforme.

Deu no que deu… 2 X 1. Os amigos não perdoaram. Precisavam descarregar em alguém.

- Eu sou homem de uma palavra só. Mas, nunca vou trair o Vascão. To aqui, com essa porra desse uniforme, mas, com o manto sagrado do Vascão por cima pra isolar qualquer desgraça.

Olhava pra uns, olhava pra outros. Fazia beicinho. No limite do choro…

Maior sucesso. Em tempos de Copa, tudo é farra. Vaias. Aplausos. Gritos de Mengão de um lado. Vascão de outro. Alguém grita:  “É isso aí, jura de jogo é sagrada, mas o Vascão é mais”…  “Chama o Galvão”… “Filma eu, Galvão”… “Cala a boca Galvão”…

Não faltou nem vuvuzela.

Já engrandalhado com seus quinze minutos de celebridade, o enrolado ainda fez questão de jurar:

- E tem mais, quando chegar em casa vou ficar umas duas horas debaixo do chuveiro pra tirar essa nhaca de urubu de cima de mim…

(jun/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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