Vou votar em Dilma pela sensibilidade de colocar a erradicação da miséria como meta maior de seu governo. Por sua tenacidade, por sua brasilidade, pela capacidade de coordenação e de fazer as coisas andarem.

Voto em Dilma como fator de consolidação de nosso processo democrático. Porque só seremos um país efetivamente democrático quando erradicarmos a miséria e oferecermos oportunidades iguais para todos os brasileiros. Porque, muito além do simples direito de votar, Democracia significa garantir cidadania. Garantir que todos – 100% dos brasileiros – terão o direito de participar dos desafios nacionais e de usufruir dos resultados alcançados. Democracia é socializar os benefícios. Inclusão social é Democracia.

Gosto muito de uma sabedoria marinheira que diz: “não se dá cavalo-de-pau em transatlântico”. Hoje, o Brasil é um transatlântico no rumo de um norte promissor. Para alcançar este Norte, precisamos fortalecer as bases de nossa navegação.

Conquistamos e avançamos muito nesta primeira década do século XXI. E queremos muito mais. Entretanto, antes de dar novos passos e de avançar ainda mais, é preciso consolidar o que já conquistamos. Precisamos criar as condições estruturais para impedir retrocessos ou “cavalos-de-pau”.

Para consolidar os avanços, teremos que enfrentar desafios gigantescos. Desafios que se interpenetram e complementam. Desafios que são condicionantes uns dos outros. Não será possível enfrentar uns e deixar outros para depois.  Desafios que impõem simultaneidade. Desafios que exigem uma extraordinária capacidade de coordenação.

Neste momento, na Presidência da República, precisamos de uma pessoa capaz de compreender a diversidade e complexidade de nossa sociedade. Capaz de perceber a dimensão histórica de nosso caminhar atual e das largas passadas que demos em tão pouco tempo. Capaz de compreender o que é preciso fazer neste próximo período para a consolidação dos avanços que já conquistamos. Uma pessoa com grande senso de urgência e oportunidade.

O Brasil tem pressa. Desde a Constituição de 1988, os brasileiros anseiam por modernização. Anseiam por um país que assegure as condições para que todos os seus cidadãos possam viver bem. Anseiam romper com séculos de colonização.

O Brasil mudou. A inclusão social passou a ser o centro das políticas do governo. Erradicar a miséria passou a ser meta.  O Brasil de hoje, aposta na sua gente, na própria inteligência, na capacidade de trabalho e na competência de suas empresas.

Dilma tem pressa. Dilma é determinada e tem extraordinária capacidade de coordenação. Uma capacidade gerencial reconhecida por todos, sejam amigos, partidários,  adversários, oposicionistas ou mesmo aqueles que tenham se incomodado com uma resposta mais contundente. Por onde passou, Dilma deu provas irrefutáveis de sua capacidade de superar desafios sem perder de vista o objetivo traçado.

Em 2001, Dilma era a Secretária de Energia do Rio Grande do Sul. Enquanto o Brasil inteiro amargava sete meses de racionamento de energia elétrica, o Rio Grande do Sul livrou-se do racionamento graças às providências que haviam sido adotadas preventivamente por Dilma e sua equipe.

Em 2003, o Brasil ainda não havia se recuperado do trauma do Apagão de 2001. Técnicos e especialistas previam tempos difíceis para o setor elétrico brasileiro, com grande possibilidade de novos apagões a partir de 2004. Ainda sob o efeito da maior crise de energia que o Brasil já viveu, Dilma assumiu o Ministério de Minas e Energia. Juntamente com a equipe qualificada que montou, ela desenvolveu, aprovou no Congresso Nacional e implantou um novo modelo institucional para o setor elétrico brasileiro. Hoje, mais ninguém faz  previsões catastróficas e não se fala mais em apagão. Apagou-se o fantasma.

O Brasil, historicamente, sempre manteve um déficit habitacional gigantesco. Um desafio considerado praticamente insuperável. Dilma coordenou a elaboração e a implantação de um plano ambicioso para construção de mais de um milhão de casas populares. Inclusive, casas para pessoas com renda de três salários mínimos. Quando o programa foi lançado, muitos apostaram que seria um fracasso, que a meta de um milhão era praticamente impossível. Hoje, fala-se em alcançar aquela meta mais rápido que o planejado. Fala-se em ampliar a meta. Ninguém mais fala que o Programa Minha Casa Minha Vida é um desvario.

Antes de 2003 existia um programa para levar energia elétrica às áreas rurais. Era um programa sem metas, que apontava 2015 como um possível horizonte para a universalização. Dilma lançou o programa Luz para Todos, com a meta de levar energia elétrica para todos os brasileiros até 2010.  Na época, houve quem criticasse. Hoje, até o fim de 2010, restarão muito poucos brasileiros sem luz dentro de casa. Ninguém mais critica, como um filho bonito, todos querem a paternidade do programa.

Há mais de 30 anos, fala-se num trem de alta velocidade para unir Rio e São Paulo. Depois de 30 anos de indefinições e vai-e-vem, foi Dilma quem coordenou os trabalhos para tirar o sonho do papel. O trem-bala finalmente se aproxima dos trilhos.  Há quem tente ensaiar algumas críticas aqui ou acolá. Mas, alguém duvida que, com Dilma, o Trem-bala será uma realidade no prazo contratado?

Uma das coisas mais revoltantes no Brasil eram os esqueletos de obras inacabadas. Sempre houve dois grandes desafios nas obras públicas: 1. fazê-las sairem do papel; e, 2. concluí-las. O governo lançou o PAC, o maior programa de obras dos ultimos tempos, um dos maiores programas de obras do mundo em seu tempo.  Energia elétrica, portos, rodovias, ferrovias, siderurgia, refinaria, saúde, educação, saneamento, habitação,… Dado o histórico brasileiro, era uma temeridade assumir tantas obras simultaneamente. Dilma não fugiu do desafio, assumiu a coordenação do PAC. Superando todo o tipo de entraves e problemas que se diziam insuperáveis, tais como licenciamentos, financiamentos, embargos judiciais,  campanhas contrárias etc., as obras vão se sucedendo – saem do papel e tornam-se realidade.

O Brasil vai sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O mundo questiona se conseguiremos construir todas as obras necessárias no tempo certo. Alguém duvida que Dilma consiga realizar as obras dentro dos prazos combinados?

Neste início do século XXI, o Brasil está se reconstruindo como Nação. Passou a ser um país inclusivo, combatendo a miséria e elevando a qualidade de vida de milhões de pessoas que antes não passavam de tristes estatísticas.

E está se reconstruindo como País Soberano. Rompeu com séculos de colonialismo e de comportamento subalterno. Até ontem, o Brasil sempre se alinhou e agiu como determinavam europeus ou estadunidenses – na política, na economia, nos valores e no comportamento. Hoje, o Brasil ousa pensar por si mesmo, ousa ditar moda, ousa fazer os próprios caminhos. Ousa se apresentar ao mundo como protagonista. Hoje, o Brasil age soberanamente. Hoje, o Brasil é visto pelo mundo com respeito: é consultado, é chamado para as mesas de negociação, é mediador confiável de muitos conflitos.

Dilma Presidenta – para o Brasil seguir mudando.

(jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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(por Jorge Furtado em 25 de julho de 2010)

Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.
 
Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)
 
Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.
 
Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes.
 
1. “Alternância no poder é bom”.
 
Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.
 
2. “Não há mais diferença entre direita e esquerda”.
 
Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias. O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de “esquerdistas”, como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da “direita” do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.
 
3. “Dilma não é simpática”.
 
Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito “simpatia” depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.
 
4. “Dilma não tem experiência”.
 
Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.
 
5. “Dilma foi terrorista”.
 
Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.
 
6. “As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano”.
 
Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate “quem começou o quê” torna-se irrelevante.
 
7. “Serra vai moralizar a política”.
 
Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista – no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC – foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela “Operação Sanguessuga”. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com “engavetador da república”, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de “mensalão” foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no “mensalão do DEM”. Roberto Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.
 
8. “O PT apóia as FARC”.
 
Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?
 
9. “O PT censura a imprensa”.
 
Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram “a posição oposicionista (sic) deste país”. Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.
 
 
10. “Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra”.
 
Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.
 
@@@ 
 
(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.
 
- Geração de empregos:
FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões
 - Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares
 - Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões
 - Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos
 - Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78
 - Reservas cambiais:
FHC/Serra = 185 bilhões de dólares negativos x Lula/Dilma = 239 bilhões de dólares positivos.
 - Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%
 - Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%
 - Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%
  
(2) Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 25.07.10:
 
José Serra começou sua campanha dizendo: “Não aceito o raciocínio do nós contra eles”, e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro. O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos.

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Jorgte Furtado
*Um dos mais respeitados cineastas brasileiros, Jorge Alberto Furtado, 51 anos, trabalhou como repórter, apresentador, editor, roteirista e produtor. Já realizou mais de 30 trabalhos como roteirista/diretor e recebeu 13 premiações dentre os quais, o Prêmio Cinema Brasil, em 2003, de melhor diretor e de melhor roteiro original do longa O homem que copiava.

Blog de Jorge Furtado

(jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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2012 e a Lenda do Campeche

Author: Delman Ferreira

Noé, o dragão

Noé, o dragão...

um sono de dez mil anos

... e seu sono de dez mil anos

Quem chega à Praia do Campeche, pela Avenida Pequeno Príncipe, pode observar que a Ilha do Campeche é, na realidade, um dragão dormindo um sono de dez mil anos. Lá estão, muito bem delineados, a cabeça, o corpo e a parte não submersa do rabo.

De tanta gente chegar à praia e perguntar: É o Dragão, não é?  É o Dragão, não é? É o Dragão, não é?, ficou conhecido como o Dragão Noé.

Diz a Lenda do Campeche que, no dia 20 de dezembro de 2012 (20 12 2012), Noé, o Dragão, vai despertar de seu sono decamilenar. Vai erguer-se de seu berço esplêndido. Alçar vôo e bradar um brado de dez mil megatons.

Quando chegar a hora, alguns receberão o chamado. Em todos os cantos do mundo e arredores. Ao som de um rock – Nostradamus, de Eduardo Dusek – os ungidos serão tocados. Sairão caminhando e, sem nem mesmo saber por que, vão se dirigir ao Campeche.

O dia ficou noite/O sol foi pro além/Eu preciso de alguém/Vou até a cozinha/Encontro Carlota, a cozinheira, morta/Diante do meu pé, Zé/Eu falei, eu gritei, eu implorei:/”Levanta e serve um café/Que o mundo acabou!”

Nostradamus vai tocar para todos. Mas, somente os ungidos saberão que é o momento. Apenas eles saberão fazer o caminho.

Noé irá recebê-los em seu dorso. Vai elevar-se aos céus carregando os exemplares que darão origem à nova humanidade.

Ao por-do-sol de 20 de dezembro de 2012, Noé soltará seu brado de dez mil megatons. Céus e terras tremerão. Naquele lusco-fusco, toda a humanidade à sua volta será destruída.

Quase toda. Os ungidos serão salvos.

Depois que montanhas, pedras, mares e rios se acalmarem, Noé retornará ao Campeche. O Dragão voltará a ser ilha em seu sono de dez mil anos.

Na alvorada do dia 25 de dezembro de 2012, os ungidos subirão o Morro do Baco Baco. E daí,… …bom, daí vai começar tudo outra vez.

(jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Mente, comumente

Author: Delman Ferreira

José Serra, o candidato demotucano, é apresentado por seus pares, e pela imprensa, como um político altamente preparado, competente, experiente, hábil, e com outras tantas qualidades.

Entretanto, infelizmente, este início de campanha está desnudando um outro tipo de candidato.  O que se destaca é  a incapacidade para lidar com reveses e situações adversas. Infelizmente, porque todos esperávamos que o principal candidato da oposição fosse capaz de  manter um debate de alto nível.

Enquanto as pesquisas apontavam larga vantagem sobre os outros possíveis candidatos, Serra  mostrava-se magnânimo. Comportava-se como um escolhido que apenas esperava o pleito para confirmar sua superioridade.

Quando as pesquisas passaram a apresentar resultados adversos, Serra perdeu o equilíbrio. Perdeu a fleuma. Perdeu toda a pretensa habilidade. Chega a lembrar uma certa seleção, que só sabe jogar quando está na frente, perde as estribeiras quando está diante de um simples empate.

Por desprezar planejamentos, quando precisou de reservas, não tinha com quem contar. Partiu para o tudo ou nada. Tentou se apresentar como a continuidade de Lula. Não deu certo. Tentou seduzir com promessas de mais dinheiro para o Bolsa Família. Não deu certo. Chamou o Felipe…, digo, Indio da Costa, para bater pesado. Não deu certo.

Por fim, partiu para as mentiras.

Diz que foi o criador do FAT e do Seguro Desemprego. Mentira, como está comprovado na matéria  “Jornal desmascara mentira de Serra: emendas ao artigo 239 da  Constituição foram rejeitadas”.

Diz que foi o criador dos genéricos. Mentira, como está demonstrado no texto “quem de fato é o pai dos genéricos”, publicado em 16 de junho de 2009.

Diz que o apagão de 2001 foi por falta de chuvas. Mentira, como demonstro em: O desmonte do Planejamento e o Apagão 2001.

Serra mente. Como mente.

É DILMA. Para o Brasil continuar mudando.

jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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“O menino Tolo”

Author: Delman Ferreira

Repetidamente, os demotucanos citam os dois maiores feitos de seus governos: a Lei de Responsabilidade Fiscal e as privatizações. A privatização da telefonia é apresentada, ad nausem, como o grande sucesso do governo demotucano.

Com relação à Lei da Responsabilidade Fiscal, podemos olhar por dois lados, à gosto de quem faz a avaliação: 1.) por um lado poderia ser considerada positiva, ao estabelecer limites para o endividamento de estados e municípios; 2.) por outro, destaca-se a crueldade que denuncia a verdadeira intenção dos demotucanos: a LRF impõe limites para gastos sociais ou de infraestrutura e não impõe nenhum limite para o pagamento de dívidas. Os interesses de bancos e banqueiros ficaram devidamente preservados.

A grande maioria dos estados e municípios vivem sempre no limite de suas contas. Assim, em função da LRF, prefeitos e governadores ficam impedidos de desenvolver políticas públicas que visem garantir melhor qualidade de vida. E ficam de mãos amarradas quando ocorrem calamidades, como as tragédias das chuvas cada vez mais frequentes.

O objetivo principal da LRF é garantir o pagamento de dívidas. Considerando que existem limites para gastos sociais e não existem limites para o pagamento de dívidas, mesmo quando ocorrem tragédias, o governante será obrigado a manter as dívidas em dia, em detrimento de ações para salvar vidas e resgatar a dignidade das pessoas.

Com relação às privatizações do setor de telefonia temos aí a análise de um grão-tucano, fundador do PSDB, que dispensa comentários. Segundo o intelectual tucano: tolo foi quem privatizou.

Com a palavra os demotucanos…

O menino tolo

Só um tolo entrega a empresas estrangeiras serviços públicos, como são a telefonia fixa e a móvel, que garantem a seus proprietários uma renda permanente e segura.

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA. Folha de SP.Mundo. 18/7/2010 (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1807201007.htm)


JOÃO É DONO de um jogo de armar. Dois meninos mais velhos e mais espertos, Gonçalo e Manuel, persuadem João a trocar o seu belo jogo por um pirulito.

Feita a troca, e comido o pirulito, João fica olhando Gonçalo e Manoel, primeiro, se divertirem com o jogo de armar, e, depois, montarem uma briga para ver quem fica o único dono. Alguma semelhança entre essa estoriazinha e a realidade?

Não é preciso muita imaginação para descobrir. João é o Brasil que abriu a telefonia fixa e a celular para estrangeiros. Gonçalo é a Espanha e sua Telefônica, Manuel é Portugal e a Portugal Telecom; os dois se engalfinham diante da oferta “irrecusável” da Telefônica para assumir o controle da Vivo, hoje partilhado por ela com os portugueses.

Mas por que eu estou chamando o Brasil de menino bobo? Porque só um tolo entrega a empresas estrangeiras serviços públicos, como são a telefonia fixa e a móvel, que garantem a seus proprietários uma renda permanente e segura.

No caso da telefonia fixa, a privatização é inaceitável porque se trata de monopólio natural. No caso da telefonia móvel, há alguma competição, de forma que a privatização é bem-vinda, mas nunca para estrangeiros.

Estou, portanto, pensando em termos do “condenável” nacionalismo econômico cuja melhor justificação está no interesse que foi demonstrado pelos governos da Espanha e de Portugal.

O governo espanhol, nos anos 90, aproveitou a hegemonia neoliberal da época para subsidiar de várias maneiras suas empresas a comprarem os serviços públicos que estavam então sendo privatizados. Foram bem-sucedidos nessa tarefa.

Neste caso, foram os espanhóis os nacionalistas, enquanto os latino-americanos, inclusive os brasileiros, foram os colonialistas, ou os tolos.

Agora, quando a espanhola Telefônica faz uma oferta pelas ações da Vivo de propriedade da Portugal Telecom, o governo português entra no jogo e proíbe a transação.

A União Europeia já considerou ilegal essa atitude, mas o que importa aqui é que, neste caso, os nacionalistas são os portugueses que sabem como um serviço público é uma pepineira, e não querem que seu país a perca.

O menino tolo é o Brasil, que vê o nacionalismo econômico dos portugueses e dos espanhóis e, neste caso, nada tem a fazer senão honrar os contratos que assinou.

Vamos um dia ficar espertos novamente? Creio que sim. Nestes últimos anos, o governo brasileiro começou a reaprender, e está tratando de dar apoio a suas empresas.

Para horror dos liberais locais, está ajudando a criar campeões nacionais. Ou seja, está fazendo exatamente a mesma coisa que fazem os países ricos, que, apesar de seu propalado liberalismo, também não têm dúvida em defender suas empresas nacionais.

Se o setor econômico da empresa é altamente competitivo, não há razão para uma política dessa natureza. Quando, porém, o mercado é controlado por poucas empresas, ou, no caso dos serviços públicos, quando é monopolista ou quase monopolista, não faz sentido para um país pagar ao outro uma renda permanente ao fazer concessões públicas a empresas estrangeiras.

A briga entre espanhóis e portugueses pela Vivo é uma confirmação do que estou afirmando.

jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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VAMMo - Movimento "Vida Além Misteres"

VAMMo - Movimento "Vida Além Misteres"

MANIFESTO DO VAMMo

Movimento “Vida Além Misteres”

Inconformados do mundo – Desencaracolem-se.

Quietos e inquietos – Ousem.

A vida vai muito além dos compromissos, obrigações, horários, pontos, planilhas, resultados, deveres, eleições, computadores, responsabilidades, misteres…

Saiam do caracol.

VAMMo – muito além do fetiche das competições.

Dançar. Caminhar. Correr. Remar. Velejar.  Pedalar. Saltar. Acampar.

Andar no mato. Subir um Morro. Dar uma volta, a pé, pelo bairro.

Observar a diversidade. Ver a Vida com os próprios olhos.

Celebrar. Ser espontâneo. Ser desastrado. Pagar mico. Brincar. Brindar.

Rir.

Ter frio na barriga. Sentir as próprias sensações. Observar as próprias observações. Chegar às próprias conclusões.

Trocar o mundo virtual pelo Mundo Real. Viver as próprias emoções.

Sair só. Formar grupos.

Vamos à toa. Vamos à toda.

VAMMo por aí. VAMMo em todos os lugares.

_______________________________________

Concordamos que não será possível mudar o mundo na velocidade e amplitude que gostaríamos. Sendo assim, vamos radicalizar: cada um muda o seu cada qual.

O VAMMo é um movimento anárquico-profilático.

VAMMo não tem chefes, não tem responsáveis, não existirão cobranças ou cobradores.

VAMMo é uma profilaxia contra o “Mal do Caracol”. Uma vacina simples contra a asfixia de um mundo que parece sem saídas. Um escudo contra a tentação de ficar sentado em frente aos computadores/televisores/video-games e todos os mundos virtuais. VAMMo é um portal do Mundo Real.

É o movimento dos inconformados com as fatalidades – a fatalidade das gordurinhas localizadas ou generalizadas, a fatalidade das doenças oportunistas, a fatalidade das frustrações diárias e das esperanças perdidas, a fatalidade dos dogmas e verdades absolutas, a fatalidade do grito calado na garganta, a fatalidade de ver amigos partindo e o círculo reduzindo. Inconformados com a vida de gado.

VAMMo contra o tempo. Contra as marcas da passagem do tempo. Contra as fatalidades de nossos tempos.

Mais atividade significa mais oxigênio, mais renovação de energia, mais eficiência metabólica, mais disposição, mais qualidade de vida.

VAMMo – Viver Bem.

(jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Números. Oh, números.

Author: Delman Ferreira

Quero propor um jogo aos demotucanos:

Numa cesta, colocamos todos os indicadores que os tecnocratas geralmente utilizam para medir desempenhos. Depois, sorteamos um deles. Então comparamos os resultados dos governos Lula e FHC no indicador sorteado.

Os demotucanos ficam histéricos quando se fala em comparar resultados dos governos Lula e FHC. Entretanto, insistem na afirmação de que o governo Lula nada mais fez do que copiar ou dar continuidade aos programas de FHC.

O quadro a seguir, que recebi de um militante, permite uma boa avaliação do desempenho de cada governo. Fica bem evidente a causa do desespero demotucano. Qualquer que seja o indicador escolhido, o desempenho do governo Lula é inquestionavelmente superior ao do governo FHC. (Considerando a afirmação dos demotucanos de que os programas de Lula não passam de cópia ou continuação dos programas de FHC, conclui-se que a equipe de Lula é inquestionavelmente mais competente do que a equipe de FHC, visto que todos os resultados de Lula são superiores aos resultados de FHC).

Por coerência, adotando o critério de competência que tanto apregoam, os demotucanos vão acabar votando em Dilma.

DILMA13 – para o Brasil seguir mudando.

INDICADOR

FHC

LULA

VARIAÇÃO

Aprovação do Governo

35%

76%

Redução da Pobreza (migração das classes D/E para C)

Zero

20 milhões

Bolsas em Universidades Privadas – PROUNI

Zero

385 mil

Novas vagas em Universidades Federais

Zero

229 mil

Novas Universidades Federais

Zero

12

Novas Escolas Técnicas

Zero

214

Novas Extensões Universitárias Federais

Zero

48

Luz para Todos

-

12 milhões

FMI

Devedor

Credor

Brasil ‘Grau de Investimento’

Nunca

1ª vez

Brasil com alto IDH

Nunca

1ª vez

Agricultura Familiar – PRONAF (R$ bi)

2,40

16,00

567%

Desemprego (média anual)

11,6%

7,55

-35%

Geração de empregos (média mensal)

8.000

125.000

1463%

Salário Mínimo (Reais)

200

565

155%

Salário Mínimo (dólares)

64

290

353%

Gastos com Cesta Básica (% Sal. Min.)

79,5%

49,8%

-37%

Reajuste Salarial acima da inflação – categorias

5%

88%

1660%

Transferência de Renda (bilhões)

1,7

12,3

624%

Redução da Pobreza – Classe E

26,7%

16%

-40%

Melhoria de Renda – Classe C

38,6%

49,2%

27%

Concentração de Renda (Gini)

0,59

0,54

-8%

Renda dos 50% mais pobres

12,97%

15,25%

18%

Mortalidade infantil (1990-2010)

5,2%

1,99%

-62%

Saúde da Família (equipes)

16.698

24.520

47%

Analfabetismo (acima de 15 anos)

11,8%

10%

-15%

PIB (ranking mundial)

12

8

4

Crescimento anual do PIB*

2,3%

4,01%

74%

Juros (básico) *

25%

11,75%

-53%

Inflação – IPCA (12 meses)*

12,53%

5,5%

-56%

Dívida/PIB (%)

55,5%

41%

-26%

Dívida Pública Externa (US$ bi)

211,00

192,00

-9%

Reservas internacionais (US$ bi)

37,8

249,75

561%

Risco País

14%

2%

-86%

Exportações (anual  - US$ bi)

60,40

183,00

203%

Crédito/PIB (%)

23,9%

45%

88%

*projeções

Contato/responsável: berrador@terra.com.br

(jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Evolução, Brasil

Author: Delman Ferreira

EVOLUÇÃO DA MISÉRIA

Evolução da Miséria(mais detalhes em http://www.fgv.br/cps/Pesquisas/miseria_queda_grafico_clicavel/FLASH/)

Eis um quadro eloquente. Do qual devemos sentir muito orgulho.

A miséria é um problema que desafia as sociedades há milhares de anos. Desde que a humanidade tomou conhecimento de sua condição humana diversa dos animais. Desde que passou a pensar em novas questões, além da comida e da sobrevivência do dia a dia.

É evidente que a humanidade nunca conseguiu superar o problema da miséria porque muito poucas vezes enfrentou com determinação e continuidade. Ao longo da história, houve diversas experiências bem sucedidas e fracassos retumbantes. Como atestam os números crescentes de miseráveis pelo mundo, em todo esse tempo, tivemos muito mais fracassos que sucessos.

Neste início de século XXI, o Brasil dá exemplo. O Brasil diz como fazer. O Brasil mostra resultados.

A redução da miséria que o quadro demonstra não é resultado de um único programa, como apontam muitas análises superficiais e simplórias. Este caminhar é fruto de uma ação estatal planejada e competentemente executada.

São diversos programas e políticas sociais que dialogam e se interconectam:

Bolsa Família, que garante a condição básica de sobrevivência – a comida do dia a dia.

Luz para Todos, que abriu portas para mais de 13 milhões de excluídos adentrarem o século XXI. (veja Luz para Todos em http://www.luamansa.com/morrodobacobaco/?p=2138)

Agricultura Familiar – programas de estruturação do setor que é responsável por mais de 70% da produção dos alimentos consumidos pelos brasileiros.

Geração de mais de 14 milhões de novos postos de trabalho com carteira assinada.

Elevação do poder aquisitivo do Salário Mínimo.

Elevação do poder de compra médio dos salários.

Universidade para todos, por meio de programas e políticas que garantem acesso à universidade, como REUNI, PROUNI e outros.

Levar universidades públicas para mais perto dos alunos potenciais, por meio da Interiorização dos campi. Como forma de garantir o acesso àquelas pessoas que não poderiam se deslocar de suas cidades para estudar nas capitais ou grandes centros.

Construção de mais de 300 novas escolas técnicas em todo o território nacional, notadamente no interior.

Programa Minha Casa Minha Vida, para enfrentar o déficit habitacional e garantir que pessoas de baixa renda tenham acesso ao sonho da casa própria.

Acesso à crédito para permitir a compra de produtos que elevam o padrão de vida, como eletrodomésticos

E tantas outras políticas e programas para atacar questões pontuais que, historicamente, sempre impediram a ascensão social de milhões de pessoas. Pela sinergia das políticas e dos programas, obtém-se um conjunto, um resultado, no qual o todo é muito maior que a soma das partes. Principalmente, é o fruto da ação de um Estado Forte que planeja em favor das pessoas.

Entretanto, apesar do sucesso desta política, apesar dos resultados já obtidos, o desafio ainda é gigantesco. Ainda restam mais de 30 milhões de brasileiros em condição de pobreza. Além destes miseráveis, ainda restam outros milhões de pessoas para ascender à classe média. Ainda resta superar o analfabetismo. Ainda resta superar as diferenças regionais. Ainda resta superar a vergonhosa concentração de riquezas que persiste no Brasil.

Continuar em frente. Continuar a crescer. Continuar a incluir mais e mais brasileiros. Continuar a pensar grande. Continuar de cabeça erguida. Agir cada vez mais soberanamente. Sentir cada vez mais orgulho de ser brasileiros. Eis um grande desafio.

Dilma – é a estratégia para superar este desafio.

(jul/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Coração dividido

Author: Delman Ferreira

“Eu/ sou brasileiro/ com muito orgulho/ com muito amooooooooo…..”.

 Visto verde-amarelo e sou mais um. Quero um Brasil vencedor. Mas,… o tempo passa, os jogos passam, vitórias(?) passam, as ilusões passam, o sonho se esvai e… o que vejo me faz torcer contra o que vejo. Fico injuriado.

 Do “melhor futebol do mundo” espera-se que se comporte como o melhor futebol do mundo. Sonho com um Brasil vencedor que torne a vitória uma Ode ao Futebol. Uma Celebração à Alegria. Uma conquista que será cantada pelos próximos 50 anos. Uma vitória a ser admirada, decantada e estudada pelos adversários.

 O Brasil é o único pentacampeão do mundo. Para quem alcançou este degrau mais elevado, de que adianta ter mais um mero resultado conquistado de forma medíocre? Ser hexa? Pra que? Pra depois trocar o hexa pelo hepta e… depois?… …depois ninguém lembrar uma única jogada, um único drible, um único deleite.

Leiam http://tonaoto.wordpress.com/2010/06/15/de-copa-em-copa. A Copa é um marco nas vidas dos brasileiros. Todos lembram o que faziam ‘naquela’ Copa. Por isso mesmo, a Copa é uma responsabilidade.  Queremos registrar grandiosidades, deleites, momentos que nos tiram o fôlego. Ninguém perde o fôlego com mesmices. Ninguém registra mediocridades.

 Por isso, por amor ao Brasil e ao Futebol,  meu coração não conseguia torcer por aquele time que estava na África do Sul. Aqueles lá apropriaram-se das cores e do passado do Brasil. Mas, não entenderam nada.

Onde foi parar a magia?

O Meu Brasil Campeão não é medíocre e não joga um futebol medíocre. O Meu Brasil Campeão joga para vencer.  Com arte. Tem a fibra de um Didi, depois de sofrer um gol, de cabeça erguida, pegando a bola no fundo das redes, caminhando para o meio do campo. Recomeçar – cabeça erguida e certeza da vitória no coração.

O Meu Brasil Campeão tem a irreverência de um moleque dando chapéu numa final de Copa do Mundo. Tem improváveis pernas tortas. Tem joões. Arrancadas. Paradinha. Bicicletas. Elástico. Caneta. Vaca… Tem folclore. Tem irreverência. É imprevisível. O Meu Brasil Campeão não teme a jabulani, faz dela uma folha seca.

Meu coração fica injuriado cada vez que sujeitinhos medíocres enxovalham nossa História. 

O Meu Brasil Campeão é feito de 190 milhões de brasileiros orgulhosos da aventura de ser brasileiros. Orgulhosos de ver o mundo admirando nossa arte, nossa criatividade e nossa capacidade de ser grandes sem destruir.  

 (jun/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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Saramago

Author: Delman Ferreira

José Saramago

Introdução do Discurso perante a Real Academia Sueca:

De como a Personagem Foi Mestre e o Autor Seu Aprendiz

Por JOSÉ SARAMAGO
Segunda-feira, 7 de Dezembro de 1998

O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.

Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa.

Ainda que fossem gente de bom carácter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável. Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que accionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: “José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira”. Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira. Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava… No meio da paz nocturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direcção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: “E depois?”. Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas.

Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranqüilizava: “Não faças caso, em sonhos não há firmeza”. Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos.

Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer”. Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprias filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver.

Muitos anos depois, escrevendo pela primeira vez sobre este meu avô Jerónimo e esta minha avó Josefa (faltou-me dizer que ela tinha sido, no dizer de quantos a conheceram quando rapariga, de uma formosura invulgar), tive consciência de que estava a transformar as pessoas comuns que eles haviam sido em personagens literárias e que essa era, provavelmente, a maneira de não os esquecer, desenhando e tornando a desenhar os seus rostos com o lápis sempre cambiante da recordação, colorindo e iluminando a monotonia de um quotidiano baço e sem horizontes, como quem vai recriando, por cima do instável mapa da memória, a irrealidade sobrenatural do país em que decidiu passar a viver. A mesma atitude de espírito que, depois de haver evocado a fascinante e enigmática figura de um certo bisavô berbere, me levaria a descrever mais ou menos nestes termos um velho retrato (hoje já com quase oitenta anos) onde os meus pais aparecem: “Estão os dois de pé, belos e jovens, de frente para o fotógrafo, mostrando no rosto uma expressão de solene gravidade que é talvez temor diante da câmara, no instante em que a objectiva vai fixar, de um e de outro, a imagem que nunca mais tornarão a ter, porque o dia seguinte será implacavelmente outro dia… Minha mãe apoia o cotovelo direito numa alta coluna e segura na mão esquerda, caída ao longo do corpo, uma flor. Meu pai passa o braço por trás das costas de minha mãe e a sua mão calosa aparece sobre o ombro dela como uma asa. Ambos pisam acanhados um tapete de ramagens. A tela que serve de fundo postiço ao retrato mostra umas difusas e incongruentes arquiteturas neoclássicas”. E terminava: “Um dia tinha de chegar em que contaria estas coisas. Nada disto tem importância, a não ser para mim. Um avô berbere, vindo do Norte de África, um outro avô pastor de porcos, uma avó maravilhosamente bela, uns pais graves e formosos, uma flor num retrato – que outra genealogia pode importar-me? a que melhor árvore me encontraria?”

José Saramago

(jun/2010)

“Um outro mundo é possivel”

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